segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Herança miserável...

183 milhões de habitantes, 5% retendo 95% da riqueza. A pobreza se multiplica, a criminalidade cresce por falta de investimentos, novos pobres e mais filhos, mais pobreza. Ainda que existam política públicas de planejamento familiar a população carente persiste em seu número desenfreado de prole. Observa-se que o número de filhos é inversamente proporcional aos recursos financeiros da família e surge uma questão: como gerir tais escassos recursos e trazer a toda prole o suficiente? Resposta: partilha e crescimento sem os itens necessários.
Educação de pouca qualidade, saúde precária, fome, ignorância, criminalidade; uma família numerosa e de baixo estrato social não é capaz de gerar um meio que possa arcar com a demanda de seus filhos. Todavia a dúvida: por que se permite que esse absurdo persista? A falta de eficácia governamental é um resultado unânime de reclamações, mas avaliemos que quem mais consome o valor das 'sobras tributárias' (a porção não afanada por corruptos) é justamente a grande maioria que sequer tem recursos para a contribuição anual. Sustentamos uma grande massa de forma ineficiente e geramos cada vez mais dessa massa faminta de ignorantes e marginais ( não no sentido pejorativo cultural, mas realmente excluídos do crescimento nacional).
De fato, visto que tal parcela é incapaz de controlar sua própria expansão, uma medida mais drástica necessita ser tomada. Se as campanhas estão ineficazes em conscientizar, passeamos a um controle mais real e palpável, finalizar a gênese! Uma família dotada de dois filhos que está estável deve finalizar a produção gamética, para quê arriscar uma instabilidade? Não é viável criar uma prole maior que a capacidade de gerar recursos. E o que fazer então com os milhares de detentos dos estado? Estes tem uma média de até duas novas crianças por detento, qual futuro essas crianças podem ter? Assumir o local do pai no futuro talvez? A esterilização em massa dessa população é um dever do estado como prevenção da crescente marginalização.
Já existem parasitas estatais o suficiente! Os suados impostos que abusam do árduo suor brasileiro devem ter um fim mais eficaz, chega de programas governamentais de esmolas, todo esse desperdício precisa de um fim! Esmolas não darão um futuro a essas crianças, apenas escondem seu difícil e obscuro futuro. O que elas precisam é de investimento, poucos trocados não lhes darão uma profissão e dignidade no futuro, apenas calarão a boca dos preguiçosos por um tempo.

Quer mudar esse maldito destino de miséria de dor? INVISTA EM NOSSAS CRIANÇAS E PAREM DE LHES DAR ESMOLAS!

O que uma criança precisa é de um suporte e um futuro!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Realidade sonhada...



Ainda que vivamos imersos nessa realidade dolorosa e prazerosa simultaneamente, sonhamos com um outro mundo. Um lugar mais caloroso e belo, onde os problemas não existem e a vida pode ser vivida do jeito que quisermos e todos podem usar do direito de serem livres e felizes. Contudo uma coisa a ser lembrada... já que queremos tanto um mundo melhor porque somente sonhamos com isso? O que estamos fazendo para tornar este em que vivemos algo ao menos perto daquele que sonhamos?
Reclamar é muito simples, se fazer de fraco e impotente também é fácil... mas quantos de nós estão realmente arregaçando as mangas para muda alguma coisa? Começar é difícil, mas a maior das jornadas começa com o primeiro passo ( a sabedoria oriental já dizia isso). Pare um pouco e pense: de que forma você está ajudando a criar o mundo dos sonhos neste aqui? Começou a menos a primeira passada? Já pensou nisso? Ou ainda estás a olhar para o próprio umbigo?
Paz, precisamos de mais um pouco disso... mas é um conceito que ultrapassa o silêncio e a visão de paisagem bucólica dos filmes. É o sentimento de segurança, de poder deixar os filhos brincarem na rua sabendo que nada de mau pode lhes acontecer, é andar pela rua à noite e admirar as luzes distraidamente e voltar inteiro para casa. O que se tem feito para isso? Culpamos a violência que só aumenta e deixamos de lado a causa desse problema, as pessoas que perderam as esperanças e vão desesperadas buscar migalhas do sucesso dos outros. Ou simplesmente jamais tiveram noção de futuro e sobrevivem como podem num sistema de conduta próprio.
Reclamamos da fome, mas o número de pessoas com sobrepeso e obesos já superou o de desnutridos, há comida suficiente para alimentar o mundo... mas não é distribuída. Desperdiçamos muito todos os dias, deixamos frutas, carne, vegetais... apodrecerem por nosso próprio descaso. É fácil não se importar quando sequer imagina a dor de um estômago vazio há dias... Barrigas aumentam e lesam corações... Costelas aparecem e corpos desfacem...
Há preocupação com o ódio por causa de palavras em livros antigos, fé e deus são palavras que se esvaziaram de significado... agora são armas para se mostrar a superioridade de uma crença ou outra. Religião é uma instituição, é criada por homens e está sujeita a falhas. Como se pode colocar uma verdade em confronto com outra, mesmo quando discrepantes elas ainda acalentam os corações de seus fiéis. É um terreno que deveria apaziguar a lutas e não ser estopim delas, como se vê a séculos... desde sua criação.
O mundo que vivemos é mutável, temos a inteligência, a tecnologia e a vontade... o que falta para que se torne o mundo que sonhamos?

Queremos um mundo e criamos um mundo... Mas criamos o mundo que queremos?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Bordados e manchas - Ego ferido



Finalmente o grande dia havia chegado. Equipe armada até os dentes, todos presentes na sala de Govannon. O mais novo integrante, O arquelógo-perspicaz, nos tele-transportou para o desfiladeiro que ficava atrás da varanda, nos fundos da casa de festas.

Após subirmos escalando, o arqueólogo viu uma menina sentada no chão e dois cachorros rodeando os fundos. Não fosse a cautela do Arqueólogo e o faro do Introspectivo, iríamos dar de cara com os cachorros. Infelizmente não pudemos detê-los antes que eles machucassem nossa equipe. A menina pareceu ter percebido a nossa presença e correu para dentro de casa. Dessa vez eu consegui agir rápido e domei um dos cães. O outro machucou a mão do Vôzinho-estúpido (coisa que achei até bem feito) mas o Japonês atirou bem no meio das fuças dele.

Conseguimos entrar furtivamente. A casa estava aparentemente vazia. Só consegui detectar a mente de uma pessoa. Nas salas, nenhum sinal de vida. O ambiente não ajudava enxergar muito bem. E começava a ficar cada vez mais escuro. Afastei-me um pouco da sala principal, acompanhando os passos de Govannon. Comecei a passar mal, sentia uma tontura, uma fraqueza sem nexo. Tentei detectar se estavam manipulando minha mente. Nada funcionava. Virando para o outro lado, encontrei a menina caída no fim do corredor. Ao mesmo tempo, consegui ouvir som de metal se arrastando. Parecia que os outros corriam perigo. Mas eu já estava fraca demais para socorrê-los. Minhas pernas tremiam, sentia muita sede. A menina se aproximava cada vez mais de mim, pedindo ajuda. Ela estava sedenta também. Vi uma jarra com água num dos cantos da sala, mas antes de andar para pegar, caí no chão, quase desmaiada. Olhando para Govannon, ele parecia não reagir, estava imóvel. O arqueólogo-perspicaz tentava reagir, como eu, também sem sucesso. Não conseguia ver os outros. Mas fui capaz de ouvir a voz de quem estava provocando tudo aquilo. “Vocês estão gostando? Vou fazer vocês virarem pó! E o primeiro ser ele!”, apontou para Govannon.

Em segundos a magia se dissipou, consegui recuperar uma parte das minhas forças. No centro da sala estava uma figura horrenda, apontando cada um dos seus seis braços para um alvo diferente.

Num estalar de dedos, vimos o corpo de Govannon se esfarelar diante de nós. Minhas magias não funcionavam, eu ainda estava fraca. Como poderia reagir? Estava vendo a morte diante de nós. E uma menina inocente pedindo água diante dos meus pés. Mas o Japonês parecia lutar contra o inevitável. Vários tiros acertaram o poderoso monstro-mago. E ele parecia bastante forte ainda...

O que me restava era oferecer à menina um pouco de conforto. Dei água a ela e esperei. Iríamos virar pó, todos juntos! “Queria matar um por um, mas vocês preferem morrer juntos, pelo que percebo”! O mostro apontou todos os seis braços para cada um de nós.

E a última cartada seria a do arqueólogo. Num ímpeto de covardia ou coragem chutou o estômago da pequena criança jogada aos meus pés.

Toda aquela cena se dissipou. Acordamos todos diante de Govannon, sentado numa mesa com a pequena criança no colo.

Tentei me acalmar a muito custo, estava perplexa da maneira como tudo foi meticulosamente planejado. Pela segunda vez me senti usada.

A ilusão criada com a ajuda da garotinha tinha apenas uma razão. Convencer a cada um dos envolvidos na batalha que estávamos diante de inimigos muito poderosos... Aquele mago era uma espécie de semi-deus. Seria impossível derrotá-lo.

A raiva que sinto agora tem um nome: Govannon. Isso mesmo, G-O-V-A-N-N-O-N. Se ele tem os meios dele, eu tenho os meus. Manterei os fatos importantes, somente o essencial. A raiva? Será fácil esquecer. Preciso esquecer por uma questão de segurança. Farei exatamente como fiz com os sonhos...

Desde o início, tudo, tudo planejado por ele. Mas apesar da raiva que eu sinto, ele tem razão em dizer que precisamos nos proteger.

Estamos envolvidos numa grande guerra de interesses.