segunda-feira, 12 de abril de 2010

A grama do vizinho é mais verdes... (graças os corpos enterrados no quintal)

"Boa tarde... morreram num...", "...filho mata pai e mãe... uso de drogas...", "Boa noite... a polícia prendeu hoje...", "Bom dia... numa troca de tiros... morreram... vitimas de balas perdidas...". Vários canais... as mesmas notícias, morte, assassinato, revolta, agressão, tiroteios, drogas, violência... e é claro uma excelente audiência! Mas por se ater as notícias ruins? "... homofóbico recebe 1,5 milhão de reais...", "... a casa mais vigiada do país..." , " ... galã de novelas é visto...", "... famosos tem casamento de ...", "... foi gasto... em nova novela...", há tantas informações importantíssimas nas manchetes ultimamente, a maioria dos brasileiros mal sabe escrever direito mas todos sabem de cor os nomes nos BBB's eliminados nas ultimas semanas, acha um absurdo o estado a violência toma neste país, não perde sua novela favorita, para saber o que está na moda, além de sabe exatamente quem namora quem dentre os famosos. Há algo estranho nisso?
Outro dia em entrevista o presidente fez um comentário em entrevista que tremeu a base da mídia, numa interpretação de retomada da censura. Mas pensando um pouco, é saudável às crianças ou a qualquer pessoa ligar a televisão em qualquer horário do dia e ver morte, após morte, crime após crime? Que tipo de pensamento ou vida terá tal pessoa e que impacto isso pode ter à mente em formação de uma criança? É rotineiro ver a que nível a crueldade humana se mostra tão criativa, mas isso pode ser considerado normal?
É crescente o número dos chamados bairros planejados e as moradas com infraestrutura completa, ter tudo sem precisar sair de casa já uma realidade. Estamos vendo a vida através das grades das janelas e do vidro  da televisão. Até onde isso pode influenciar na nossa forma de ver o mundo, quando sequer estamos sentido na pele o que acontece a nossa volta ou nos responsabilizamos pelo nosso papel nisso. É convenientemente fácil olhar de fora e lança a culpa no governo (que elegemos), na crescente violência do mundo (que fingimos não nos afetar) ou na piora contínua de tudo (que provavelmente é um castigo divino). Mas que coisa fácil não? Simplesmente cruzar os braços e ver tudo a volta ruir se isentando de culpa, só para não precisar fazer nada... Afinal reclamar é tão mais fácil... Ver o BBB e a novela tão mais interessante.
Como se pode olhar no olho de uma criança e dizer a importância da educação quando você mesmo não aplica nada na prática, de que geografia, história, matemática e ciência vão adiantar, se não trazemos isso para o nosso meio e o aplicamos... Para quê... afinal sempre há uma estranho especialista que pode dizer o que fazer, afinal ele estudou pra isso... e o responsável pela decisão final, não. Desde a existência do governo, se reclama do próprio, na democracia é engraçado, o povo elege seus representantes e os chama de ladrões, com razão na maioria das vezes. Mas uma avaliação a fundo mostra que realmente estamos muito bem representados... Pense bem, pelo que você votou em cada candidato que elegeu (ou não)?
Realmente é difícil pensar um pouco, abrir os olhos é doloroso, mais até do que fechar o vidro do carro e fingir que não viu (ou não ver mesmo) a criancinha pedindo dinheiro (ou um futuro) no semáforo. É mais simples reclamar da absurda violência nas ruas e apoiar o filho que surrou o coleguinha de escola sem nenhum motivo, e agredir o professor que tentou educá-lo. É fácil reclamar do preço crescente dos produtos e ao mesmo tempo arrancar o máximo de lucro dos próprios clientes, enrolar no trabalho e estender o almoço.

A grama é realmente verde, os corpos dão um bom adubo... Afinal só vemos o que queremos... Aqui em casa está tudo tranquilo... o mundo é que estraga...