quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Eu podia tá matando, eu podia tá roubando...

... Mas eu tou pedindo."

Diariamente vemos a quantidade absurda de pedintes que circulam pelas ruas de nossas cidades, alegam todo tipo de desculpa para justificar sua mendigagem, trazem a tona doenças mal cuidadas, situações sociais complexas, históricos familiares conturbados dos mais diversos tipos. Que tipo de resto social estamos sustentando? Porque ter piedade de um indivíduo na maioria das vezes em idade capaz de trabalhar? Filhos são muito fáceis de se fazer, famílias problemáticas não são raras. Doenças podem ser tratadas e bem acompanhadas. Peguemos um exemplo, deficientes físicos, na atual conjuntura tecnológica basta um cérebro e uma mão funcional para poder trabalhar... e sequer é necessária alguma formação mais alta. Fora que as empresas, pequenas, médias e grandes são obrigadas por lei a ter uma percentagem de funcionários portadores de deficiência. Além do que a previdência social gasta milhões de reais todos os ano com aposentadorias por 'invalidez' ou 'incapacidades'... fora a não obrigatoriedade dessas pessoas de pagar impostos. Porque ter piedade de uma pessoa que seu suado imposto já praticamente sustenta?
 Uma vez num ônibus houve uma cena interessante, um rapaz com cerca de 20 e poucos anos, distribuía papeizinhos pedindo ajuda por ser surdo-mudo e não poder trabalhar, o que ele não sabia era que uma das passageiras também tinha a deficiência e rumava para o trabalho. Era visível a raiva dela, que tinha lutado e conseguido ingressar no mercado de trabalho enquanto ele, nas mesma faixa etária usava uma desculpa descabida e preguiçosa pra não trabalhar. Um frase que foi captada e muito justa: "- Você é um vagabundo!", dita por ela a plenos pulmões (em um jeito meio fanho, típico).
Mas a questão não é simplesmente estarem apenas pedindo, é fácil ter pena e até achar-se afortunado, vivemos num contexto onde quem mais luta para estar num estrado maior, deve lutar ainda mais para sustentar quem está abaixo. Para que ter esforço dobrado e sustentar que deveria ter seus próprios meios? Nem todo o ápice da pirâmide social veio de gerações de mesmo estrado, há muitos que se ergueram no próprio suor e agora são forçados a pagarem pesados tributos e sustentar uma máquina estatal que além de lenta e dispendiosa, ainda traz serviços que não lhe são úteis. Paga-se duas vezes, pelos mais básicos direitos, itens que deveriam ser providos com qualidade e para todos, mas mesmo dentro da máquina tem-se o descaso e a visão egoísta e preguiçosa.
Afirma-se há muitos anos que este é um país de futuro, mas que futuro de medíocres está sendo formado? A cada ano só se percebe o desgaste de um sistema já velho e tacanho, cheio de poses e favores, egoístas e mesquinhos de curta visão em qualquer direção que se olhe. E os que se esforçam para mudar qualquer coisa ou apenas escalar um lugar melhor são atacados e lesados para se manterem na mesma mediocridade. Como podemos evoluir enquanto povo se nós mesmos nos sabotamos e trazemos abaixo qualquer um que queira melhora o lugar que tanto reclamamos?
Afinal o esporte nacional já não é o futebol, deste só resta a fama e inúmeros ignorantes que mal falam o próprio idioma mas são exportados e se tornam gado caro de entretenimento internacional. Após a queda, depois de curta 'carreira' voltam para nós, sucateados e lesados. Nosso esporte campeão é mesmo a reclamação cega, por ser mais fácil que qualquer mudança ou crescimento. Por que ser ignorante é tranquilo, fácil, não dói... é quase ser feliz... mas a almejada felicidade é livre de reclamações... e tediosa...
A vida é dura, não é mesmo? Por que tirar do próprio suor seu sustento nunca foi fácil, mas modela cada um.... podia estar matando... podia estar roubando... mas estou pedindo... mesmo matando a chance de crescer, minha e de outros... mesmo roubando parte do teu suor, dos teus impostos para sustentar minha vida decandente... mas ainda sim estou pedindo... mesmo assim... estou pedindo... mais ajuda ainda para sustentar minha própria preguiça... meu ócio ignorante...

Economiza saliva e vai crescer na vida!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Horário do Circo Eleitoral Gratuito

A cada 04 anos para os cargos... mas a cada dois anos para o povo, ano sim, ano não observamos o grande circo eleitoral. Senhoras e senhores... (meninos e meninas não votam!) o maior espetáculo da terra! Diretamente das mentes mais criativas de frases feitas e discursos evasivos, os mesmos candidatos de todos os anos, depois de mandatos e mais mandatos escondidos com o dinheiro público... das profundezas dos gabinetes mais vazios, deputados, senadores, governadores e um  novo remake de presidente!!!
Não se preocupe em perder parte do show, porque amanhã e nos próximos meses temos muito mais a repetir! Novas idéías velhas, novas frases vazias, novos jogos evasivos de palavras e muitas novas falsas promessas, mas porque perder tempo dizendo o que você não fará quando pode simplesmente lançar uma frase-feita e dizer seu nome fantasia. Quem liga, deputados estaduais nem precisam de voto para serem eleitos... Viva o nosso sistema eleitoral!
O absurdo se repete, mas quem liga? Questiona-se alguma coisa?Já se tem de berço a imagem de político como obrigatoriamente aproveitadores e corruptos, mas parece ser esquecida a simples informação que nós, o povo os elegemos como nossos ditos representantes. Então não passamos também de aproveitadores e corruptos... não há uma vírgula fora do lugar na atuação dos nossos líderes. Em escala menor um indivíduo forja uma doença para aproveitar do benefício previdenciário, alguns cargos acima, um deputado aproveita o auxílio moradia para uma redução em suas despesas. Qual a diferença? A fonte do dinheiro é a mesma, só varia a quantia.
Pode-se afirmar que um senador é corrupto por se aproveitar de uma licitação para garantir um bom negócio a um amigo/colega. E quanto às pessoas que se utilizam do benefício dos programas de bolsas sociais e sequer abdicam de suas roupas de marca? Ou levam material de escritório ou remédio de repartições e hospitais? O público adora um escândalo, adora aclamar por uma justiça teórica (porque sequer faz idéia do que é a justiça de verdade ou para que servem as leis), adora uma boa farra de gritos e pizza. Afinal tudo não acabe em pizza por aqui?
Mas vamos dar nome aos bois, vamos assumir nossos papéis nesse espetáculo, não há palhaços do lado de cá do circo, tanto quanto dentro do picadeiro... aqui na platéia tudo são máscaras, fumaça e espelhos.

A piada não é tão engraçada na pele, ou é?
Não gostou de nenhum? Vote Nulo! Se tanto faz, vote Branco

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Rebanhos e Cardumes


Fé, divindades, devoção, rituais, costumes e cultura… ainda que a crença seja algo completamente individual ainda que com similaridades entres os indivíduos e afluindo de certa mistura de correntes, a religião se mostra algo mais organizacional. Trata-se como uma ‘sociedade’ onde os participantes se utilização de uma séries de pequenas regras para manifestar sua fé seguindo uma linha de idéias quanto a deidade que cultuam.
Simbolicamente pode-se notar a gama impressionante de associações que os sacerdotes e mesmo os fiéis se utilizam para representar suas idéias de povo, deuses, sacrifício ou quaisquer itens significantes a sua concepção religiosa. Além de auto-identificar como via única capaz de alcançar a recompensa divina sob suas variadas formas.
Um símbolo bastante interessante pode ser notado no cristianismo, o uso de animais de rebanho ou colônia que não possuem nenhuma repercussão enquanto indivíduo, sendo existentes apenas dentro de uma massa de outros. O cordeiro de sacrifício ou o peixe que não sai do cardume de fieis são um exemplo. Ostenta-se um estandarte de auto-anulação em prol da massa. A individualidade e até mesmo a identidade são prejudicadas nessa na moldagem de entidade própria. Transformando-se de sistema único (assim como os próprios texto tido sagrados lembram) para apenas uma peça do sistema.
Observa-se que em veículos, roupas e todos tipo de artigo de uso pode ser visto um símbolo – “Olhe para mim! Sou um peixe! Apenas mas um que abdicou de si mesmo e prol de uma felicidade sem mente!” – Parafraseando o próprio texto ‘sagrado’ está retornando ao estado antes da mordida do fruto da árvore do conhecimento. De volta ao estado de mais um animal do meio, sem mente própria.
Antes houvesse um retorno geral a um sistema mais puro, muito pelo contrário, por trás deste suposto sistema de purificação há toda uma logística. Afinal como não se aproveitar de tão grande e bastante crescente massa de fiéis perfeitamente manipuláveis? Claro que eles ouvirão e acatarão piamente quaisquer absurdos como os que frequentemente vazam nos meios de comunicação, como as perdas maciças de bens e os crimes financeiros constantes.
Um excelente produto de comércio é a fé, a esperança no invisível e a aceitação de promessas vazias perfazem um dos maiores negócio que a humanidade já viu. Troca-se tudo por nada, apenas pelo desejo do que está no desconhecido e a garantia que nenhum ser humano pode dar ao outro, o que está por trás do véu que separa vida e morte.

“De que adianta tão importante dádiva como o livre arbítrio se as pessoas a abdicam por uma falsa ‘felicidade’ ignorante?”

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A grama do vizinho é mais verdes... (graças os corpos enterrados no quintal)

"Boa tarde... morreram num...", "...filho mata pai e mãe... uso de drogas...", "Boa noite... a polícia prendeu hoje...", "Bom dia... numa troca de tiros... morreram... vitimas de balas perdidas...". Vários canais... as mesmas notícias, morte, assassinato, revolta, agressão, tiroteios, drogas, violência... e é claro uma excelente audiência! Mas por se ater as notícias ruins? "... homofóbico recebe 1,5 milhão de reais...", "... a casa mais vigiada do país..." , " ... galã de novelas é visto...", "... famosos tem casamento de ...", "... foi gasto... em nova novela...", há tantas informações importantíssimas nas manchetes ultimamente, a maioria dos brasileiros mal sabe escrever direito mas todos sabem de cor os nomes nos BBB's eliminados nas ultimas semanas, acha um absurdo o estado a violência toma neste país, não perde sua novela favorita, para saber o que está na moda, além de sabe exatamente quem namora quem dentre os famosos. Há algo estranho nisso?
Outro dia em entrevista o presidente fez um comentário em entrevista que tremeu a base da mídia, numa interpretação de retomada da censura. Mas pensando um pouco, é saudável às crianças ou a qualquer pessoa ligar a televisão em qualquer horário do dia e ver morte, após morte, crime após crime? Que tipo de pensamento ou vida terá tal pessoa e que impacto isso pode ter à mente em formação de uma criança? É rotineiro ver a que nível a crueldade humana se mostra tão criativa, mas isso pode ser considerado normal?
É crescente o número dos chamados bairros planejados e as moradas com infraestrutura completa, ter tudo sem precisar sair de casa já uma realidade. Estamos vendo a vida através das grades das janelas e do vidro  da televisão. Até onde isso pode influenciar na nossa forma de ver o mundo, quando sequer estamos sentido na pele o que acontece a nossa volta ou nos responsabilizamos pelo nosso papel nisso. É convenientemente fácil olhar de fora e lança a culpa no governo (que elegemos), na crescente violência do mundo (que fingimos não nos afetar) ou na piora contínua de tudo (que provavelmente é um castigo divino). Mas que coisa fácil não? Simplesmente cruzar os braços e ver tudo a volta ruir se isentando de culpa, só para não precisar fazer nada... Afinal reclamar é tão mais fácil... Ver o BBB e a novela tão mais interessante.
Como se pode olhar no olho de uma criança e dizer a importância da educação quando você mesmo não aplica nada na prática, de que geografia, história, matemática e ciência vão adiantar, se não trazemos isso para o nosso meio e o aplicamos... Para quê... afinal sempre há uma estranho especialista que pode dizer o que fazer, afinal ele estudou pra isso... e o responsável pela decisão final, não. Desde a existência do governo, se reclama do próprio, na democracia é engraçado, o povo elege seus representantes e os chama de ladrões, com razão na maioria das vezes. Mas uma avaliação a fundo mostra que realmente estamos muito bem representados... Pense bem, pelo que você votou em cada candidato que elegeu (ou não)?
Realmente é difícil pensar um pouco, abrir os olhos é doloroso, mais até do que fechar o vidro do carro e fingir que não viu (ou não ver mesmo) a criancinha pedindo dinheiro (ou um futuro) no semáforo. É mais simples reclamar da absurda violência nas ruas e apoiar o filho que surrou o coleguinha de escola sem nenhum motivo, e agredir o professor que tentou educá-lo. É fácil reclamar do preço crescente dos produtos e ao mesmo tempo arrancar o máximo de lucro dos próprios clientes, enrolar no trabalho e estender o almoço.

A grama é realmente verde, os corpos dão um bom adubo... Afinal só vemos o que queremos... Aqui em casa está tudo tranquilo... o mundo é que estraga...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sexualmente falando...

Um diversão, um ritual, uma forma de conquista, vários adjetivos e conceitos são atribuímos culturalmente, psicologicamente ao sexo, biologicamente é bastante óbvio.. reprodução. Mas sempre que vê algo natural, o ser humano usa de sua criatividade e inventividade para tornar as coisas mais interessantes (e complexas). A relação sexual se estende bem além da simples cópula, se desenrolou um complicado jogo de sedução e ampliou-se num universo de formas de obtenção de prazer. O foco do deixou de ser a reprodução, isso é bastante simples de notar... afinal só a população brasileira dobrou nos ultimos 30/40 anos (basta lembrar do jingles '90 milhões em ação' da década de 70, e hoje temos 183 milhões). A questão de comanda o ritual é o prazer.
Posições variadas, brinquedos, fantasias, dor, dominação, exibicionismos, adrenalina, voyerismo, inúmeras formas de ter prazer foram criadas e muitas ainda estão brotando. Mas certos preceitos ditos morais e antigos e ridículos costumes ainda se mantém. Nem vou comentar a posição das igrejas neste tema porque hipocrisia não tá no título. Mas há muito delas em certos tabus, felizmente a mulher vêm tendo mais espaço e finalmente está começando a ter orgasmos sem ser rotulada, embora isso ainda aconteça muito. Eis aí um desafio aos homens, a masculinidade e virilidade só podem ser realmente provadas na satisfação sexual do parceiro/parceira na cama. 
Uma alfinetada, questão de gênero e orientação, gays não são cor de rosa e lésbicas não são azuis! A desenvoltura e o comportamento não determinam necessariamente a orientação. E, médica e geneticamente falando, erros de criação e problemas de gestção tem mais que ver com o futuro psicológico e biológico das pessoas e só assim podem influir na sexualidade. Toda galera tem algum indivíduo de orientação não-heterossexual, sem que isso esteja escrito num estandarte vermelho brilhante! Nem todo mundo curte espalhar pro mundo com quem anda dividindo os lençóis.
Um tabu bastante antigo que vem sendo quebrado aos poucos, principalmente depois da criação de drogas contra disfunção erétil, é a morte sexual dos idosos, como se além de todas as limitações que lhe são atribuídas, eles sequer pudessem manter uma vida sexual sadia. O avançar do tempo traz a menopausa e a andropausa, com redução dos níveis hormonais e certas 'facilidades' fisiológicas, como a lubrificação vaginal e o turgor da ereção. Não impede que se resolva com uma terapia de reposição ou um gel lubrificante e um vasodilatador.
Porquê depois de mudar radicalmente a dieta por doenças crônicas, desfazer economicamente do indivíduo (a chamada aposentadoria) e praticamnte rotulá-lo de inútil, frágil e demente... ainda lhe negam o direito básico de tão boa e simples felicidade? Desde que bem protegido e orientado (como deve ser a qualquer pessoa) o sexo tem muito a ser aproveitado. Nada mais natural que ter prazer.
Quanto aos grandes etiquetadores, esses sim precisam de terapias e tratamento, isso é doença! Querer impedir o outro de ser feliz à vontade é um verdadeiro crime! Cadeia para os espancadores e assassinos de homens e mulheres! Terapia e juízo aos ditos moralistas, que precisam abrir os malditos olhos e viver um pouco! 


"Se você se preocupa tanto com a vida sexual dos outros, 
é a sua que está ruim!"

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fics Lupinas 9 - Crianças brincando com fogo...


É engraçado com o tempo passa, todas as coisas se alteram e mesmo que não se alterem a nossa percepção sobre elas se altera. Algo semelhante acontece com as pessoas, elas crescem, evoluem, mudam, ou simplesmente passam a distorcer a realidade de percepção sobre elas mesmas. Já faz pouco mais de um ano que toda essa loucura começou, apenas os acidentes e os espíritos pareciam misteriosos antes disso... agora a realidade é outra...
Antes de conhecê-los já havia ouvido sobre eles, magos (humanos dotados de poderes, às vezes assombrosos, arrogantes a ponto de se acharem deuses) e vampiros (criaturas sem alma, presas a corpos humanos e vivendo apenas pelo anseio de sangue e poder). O contato inicial não foi dos mais prazerosos, admito, mas até que se mostraram bastante úteis em batalhas e nos diversos desafios que foram enfrentados. Alguns se tornaram excelentes aliados, outros meros participantes e alguns perderam a máscara e trouxeram a escuridão à tona. Ainda me recordo de todos os problemas gerados pela falsa criança e seu mestre maldito, todo sangue perdido em conseqüência de uma ambição e prepotência sem limites. 
Alguns acabaram saindo do convívio, faz falta o sorriso sarcástico e o olhar  vivo  daquele bendito oriental e suas sacadas, no mínimo criativas. Outra que vale a pena citar é a ruiva, sua mente afiada de início prometia muito, mas seu brilho pareceu se apagar. Antes tinha uma altivez marcante, mas mesmo seu doce aroma de amazona foi se amargando com o tempo, se tornando comum. Seu completo desespero naquela maldita ilha ruiu a imagem que tinha antes. Se tornou cada vez mais fraca e seca. Onde estará o brilho de outrora?
Há um que praticamente brotou do nada, em meio ao caos de chamas do mercado modelo foi que ele surgiu, como um burocratazinho de ar arrogante e nariz empinado, infantil, embora dotado de uma aparência digna de um soldado. O Maldito loiro germânico com suas palavras inúteis e afiadas trouxe obstáculos junto com sua suposta ajuda. Não nego que tenha salvo minha vida por duas vezes, que forma bem pagas em igual valor. Todavia sua petulância e falta completa de percepção precisam de uma poda.
No decorrer dos acontecimentos foram acrescentados outros ao nosso bastante "criativo" grupo, outro oriental de fácies e ensejos bastante esquecíveis, ainda que dotado de uma visão bastante esperta, talvez esconda algo bem maior do que aparenta. Outro que ostenta o nome de um deus antigo, mais parece um bárbaro retirado de filmes, com uma lâmina poderosa e muito pouco juízo para quaisquer outras coisas. Aparentemente alguém a ser respeitado ou simplesmente para não se estar no caminho.
Os desafios brotam em tamanho exponencialmente maior a cada momento, acredito que algum sádico puxem as cordas do acaso. Mas, acordo é acordo, honro com minha vida a palavra de meu amigo-mestre, farei meu melhor para trazer apoio na empreitada contra os ditos 'puros', para que não traga o caos novamente a este mundo.


"Por hora, sigo junto a estas crianças dotadas de muitas caixas de fósforos e nenhum juízo"


Luiggi, o lobo-espírito

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uivos do Concreto - CAPÍTULO 4 – PRAZER E CULPA


O final de semana em casa passara rápido, disfarçávamos na frente dos pais de Luca, mas quando ficávamos a sós aproveitávamos cada segundo juntos. À noite no domingo um carro veio me buscar para voltar à “Escola”, despedi-me de todos com abraços calorosos e cochichei no ouvido de Luca: “- Anseio pelo nosso próximo encontro...”, entrei no carro e parti.
Quando voltei, fui direto ao dormitório guardar minhas coisas, minutos após fui chamado ao
escritório do Coronel (meu tio) Leon. Entrei, ele fez sinal para eu me sentar, então observando a paisagem através da janela deu-me a notícia: “- Tenho uma nova missão para você. Será mais difícil que a primeira, mas com o treinamento certo você terá êxito”. Eu estava sem fala, aquilo me desceu gelado ao estômago, mais uma vez, será que eu mataria de novo? Após entregar-me os papéis da nova missão, o coronel me dispensou. Os li no quarto, parecia um desafio quase impossível, eu teria de invadir uma embaixada e roubar documentos. Bom, eu e um novo parceiro.
Os dias foram passando e o foco dos treinos alterado para a nova missão; guerrilha urbana, invasão de edifícios, artes marciais silenciosas, fora o estudo contínuo das plantas do local. Embora encontrasse meus colegas sempre na base sentia falta deles, do espírito de equipe, agora eu tinha um trio de instrutores só para mim e eram bastante severos e exigentes. Já fazia uma semana desde que recebi a missão, já era tarde da noite e eu me dirigia ao vestiário para um banho, estava fedendo a suor e muito cansado... Debaixo d'água parecia que tudo estava melhor, era relaxante, fechei o chuveiro e comecei a me ensaboar fazendo bastante espuma em todo meu pêlo, imagens do Luca vieram a minha mente e comecei a me tocar. De repente escuto uma voz: “- Então é assim que os ocidentais treinam para as missões difíceis?”, me assustei e virei rapidamente, foi quando o vi pela primeira vez: alto, atlético, de pêlo cor de chumbo com listras negras brilhantes, um brinco de aço na base da orelha felina, longos bigodes, nu como eu e também excitado. Outra vez meu pêlo escondeu o quanto ruborizei, ele me olhava com malícia e eu estava imóvel, completamente envergonhado de ser pego em tal situação: coberto de espuma, excitado em plena ducha comum. Ele se aproximou de mim, abriu meu chuveiro, me empurrou pra debaixo d'água num rápido movimento e me enroscou em um abraço apertado e um beijo quente daquela língua áspera que me deixou paralisado. Em seguida ajoelhou-se com a face bem próxima de meu membro rijo, olhou para mim e disse: “- Belo fuzil soldado! Está carregado?” E passou a áspera língua felina de baixo para cima, me fazendo arrepiar cada pêlo do corpo. No momento seguinte eu afagava sua cabeça enquanto ele me sugava numa volúpia que me arrancava uivos (que eu tentava abafar a todo custo), meus olhos não acreditavam no que viam, era o lycan felino mais lindo que havia visto, um corpo muito bem trabalhado, olhos verde-dourado magníficos um moicano baixo em chumbo com listras negras em sua cabeça e ele parecei querer me engolir inteiro. Parecia um profissional, foi descendo a língua até meus testículos, os lambeu maravilhosamente, mas não parou aí, aos poucos me foi abrindo as pernas e tocou a língua num ponto que me descontrolou no mesmo segundo e cobri sua face, ele se levantou, foi ao chuveiro ao lado, tomou banho calmamente, se enxugou e enrolado numa toalha ofereceu sua mão a mim e se apresentou: “- Ryuh Sakae, agente especialista em eletrônica. Serei seu parceiro nessa missão, Winnigham!”, apertei sua mão meio desnorteado e ele saiu para se vestir, me deixando estático embaixo do chuveiro. Foi difícil terminar banho e me vestir, para ser sincero nem sei como cheguei no quarto de tão zonzo que saí do vestiário... Ao chegar no meu quarto percebo um vulto no beliche que antes eu usava sozinho e duas malas grandes junto ao armário, era verdade, ele era meu novo parceiro...
Dormia profundamente, calmo, parecia um anjo felino. De repente me percebo olhando seu corpo seminu e a face de Luca vem a minha mente, vozes ecoavam lá dentro: “O que eu tinha feito? Havia traído o único que me amou! Que tipo de desgraçado eu me tornei?”, a culpa doeu fundo no peito e deitei em minha cama. Lágrimas já rolavam em minha face quando eu consegui pegar no sono.
Acordei cedo com o despertador, a cama de cima estava vazia, a malas não estavam mais lá,
“Seria tudo um sonho?”, contudo no instante que olhei a escrivaninha havia um laptop moderno coberto de adesivos e meu nome estava na tela, levantei e apertei uma tecla qualquer, apareceu uma mensagem e um arquivo com ícone de gato: “ Bom dia meu caro colega! Espero que tenha dormido bem, ainda mais depois da ótima brincadeira no chuveiro... O arquivo em anexo tem detalhes de nossa missão e minha ficha, para você saber com quem está lidando. Espero que continuemos nos dando bem! =^.^=” - Era verdade! Ainda doía a culpa, mas resolvi enfiar a cabeça no trabalho. Após alguns minutos havia lido tudo, com meu novo parceiro a missão seria mais possível, era um profissional, embora com a mesma idade que eu! Havia sido treinado numa base em algum lugar no Japão, que o havia emprestado a nós por motivos políticos em comum nessa missão. Eu teria um parceiro bem interessante para este trabalho...
Foram dias cansativos que vieram depois, os treinos foram se tornando mais complexos, Ryuh parecia ser duas pessoas, eram completamente profissional durante os treinos e me envergonhava em todos os outros momentos, me falava coisas no ouvido, me olhava lascivamente, eu tentava evitá-lo, lembrava de Luca, mas Ryuh agora bagunçava minha cabeça. Numa noite, após um dia de planejamento e montagem de estratégias, eu tentava relaxar num banho tranqüilo e ele apareceu. Veio ao chuveiro ao lado, o restante estava vazio devido à hora avançada, éramos sós nós dois; embaixo da ducha ele me devorava com os olhos, eu me virei para esconder minha excitação e como se percebesse me abraçou por trás e disse no meu ouvido: “- Diz aí Lobinho, quer brincar com o gatinho aqui mais uma vez?”, eu não consegui responder, ofegava, até que ele olhou para baixo e percebeu meu estado, me apertou mais forte e disse: “- Hum... pelo visto o lobinho está doidinho por este belo felino aqui...”.
Ele me pressionou contra a parede, de costas para ele e começou a lamber minha nuca, costas e foi descendo, eu somente ofegava, um mar de imagens se passava em minha mente, eu já não raciocinava... Ryuh levantou minha cauda e começou a brincar com língua, eu gemi baixo, mas ele ouviu e fez mais para me arrancar mais gemidos, eu estava entregue! Subitamente, ele me colocou deitado de costas no chão, foi me lambendo o peito, barriga, virilha, até que me abocanhou e sugou como só ele sabia fazer... Eu gemia, já uivava de olhos fechados, até que uivei com uma lágrima correndo de um dos olhos e soou abafado: “- Luca!”, Ryuh parou, me puxou para perto dele e perguntou: “- Quem é Luca?” E ao que lhe respondi: “- Meu primeiro e único amor!”, o olhar de Ryuh mudou para algo frio e pesado e ele me disse: “- Se o lobinho tem dono, porque saiu pra brincar?”, levantou e saiu, me deixando sentado no chão sozinho com minha culpa.