"Hoje foi um dia péssimo!
A maldita obra em frente me acordou com sua sinfonia de martelos e tratores, mais uma vez tive de saborear meu comprimidos e minha insossa dieta de fibras. Andei num passo rápido na rua, o medo de levarem minha belas pérolas ou minha bolsa era grande, mas me distraí num olhar rápido a uma vitrine e trombei com um mendigo mal-cheiroso. Que nojo! Sai correndo (tanto quanto a artrose e os saltos me permitiam) e fui até o salão para meu cuidados rotineiros. O almoço fora tão sem-graça quanto o café, maldita hipertensão! A tarde seguiu tediosa com todas aquelas conversas cansativas das senhoras do clube e dormi as custa do meu santo comprimido de bromazepan, após outra refeição ruim. Um dia chato e quente, uma noite de doer as juntas, de tão fria."
"Hoje foi um dia triste...
Começou quando minha mãe me arrancou das minhas cobertas quentinhas para aquela manhã fria, me animei no café, engolindo minhas torradas amanteigadas com voracidade. Peguei minha bicicleta e rumei para o colégio, não podia me atrasar de novo, vi no caminho uma senhora trombar com um velho mendigo, ri comigo, em poucos minutos cheguei. As horas demoravam a passar, aulas cansativas, tanto assunto... No almoço, ria com meus colegas numa mesa de lanchonete, algo tirou meu sorriso muito rápido, chamando a atenção de todos. Do outro lado da rua, um mendigo engolia restos numa lata de lixo, nos fundos de uma biboca suja. Me doía o coração vê-lo procurar alimento no lixo, enquanto eu podia aproveitar um lanche tão gostoso e despreocupado. Aquilo me ficou na mente até o final do dia e me trouxe umas poucas lágrimas antes de dormir."
"Hoje foi mais um dia... igual...
Bocejei dentro do ônibus lotado, ainda era uma fria madrugada, meu casaco já pedia demissão e a pele estava arrepiada, assumi meu posto bem cedo e abri o portão. Os clientes iam em viam e o cheiro do café, meu companheiro, rondava por todo o local. Eu me perguntava como as pessoas podiam pagar os preços altos da tabela por coisas tão simples, como um café expresso ou um sanduíche e jogar fora metade, por pura pressa. Mais uma vez vi aquele velho mendigo observar pela vitrine e seu olhar lhe denunciava a fome, fiz-lhe um sinal para que fosse para o beco ao lado da loja. Lhe dei uns bolinhos velhos, afinal já não serviam para vender. Ele os comia com gosto, saboreando cada pedaço, como se fosse um banquete. Me agradeceu com um sorriso e um gracejo e se foi, me deixando com um riso bobo na face. O restante do dia foi cansativo, à noite minhas pernas reclamavam, mas a caminhada valia a pena, cheguei bem na hora, a professora me cumprimentou à porta da sala e foi uma boa aula. Dormi o sono dos justos quando finalmente cheguei em casa. Exausto, como sempre..."
"Hoje foi um dia interessante...
Abri cedo minha loja, os clientes estavam animados para as compras, o tilintar da caixa registradora era animador. No meio da tarde o movimento diminuiu e fui à porta averiguar, havia um círculo de pessoas, deixei um funcionário tomando conta da loja e fui matar minha curiosidade. Havia um senhor maltrapilho, fazendo um pequeno show, com anedotas e cambalhotas, de quando em quando ele pausa passava seu surrado chapéu para que lhe dessem algum trocado. Me diverti com ele, os negócios eram promissores e lhe arrumei algumas notas miúdas. O seu sorriso me serviu de agradecimento e voltei ao trabalho. Ao final do dia uma surpresa, o velho artista de rua estava ao balcão comprando uns pães de queijo, ri-me dele e lhe agradeci com um sorriso, ao qual me foi retribuído com um maior ainda. Dormi feliz, naquela noite."
"Hoje foi um dia bom!
Acordei com a luz do sol no meu rosto, já esquentando um início de dia após um noite tão fria. Caminhei pela rua olhando as pessoas atarefadas, andando de um lado a outro, sempre ocupadas. Ao atravessar a praça sinto a fome rugir e vejo uma boa refeição a minha espera. Degusto meu dejejum em um pequeno café, aproveitando os doces bolinhos de aveia e observando o fervilhar da cidade grande, os grandes arranha-céus espelhados e carros coloridos zunindo e buzinando.
Satisfeito, rumo em direção do centro para ganhar meu sustento, não é longe e caminho para aproveitar o sol. Num susto, trombo com uma senhora arrumada. Ela se assusta, mas logo se recompõe e continua num passo rápido, fingindo que nada houve. Em minutos chego ao meu local e luto pelo pão por toda a manhã. Ao sol quente do meio-dia, procuro uma sombra e meu almoço, um salada leve e bem colorida, um sanduíche de mortadela e fico satisfeito, compro uma lata de refrigerante e volto ao serviço. A tarde é quente, luto pelo meu sustento e ao final do dia já cansando e sentindo a primeira brisa da noite, retorno para casa. Encontro ótimos paezinhos de queijo numa padaria vizinha e durmo bem enrolado, satisfeito... é inverno e a noite será fria. Mas foi um bom dia!"
2 comentários:
adorei isso! ^^
Genial!
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