terça-feira, 25 de agosto de 2009

A saúde precisa de educação...


A situação atual vai além de simplesmente ignorância ou informações equivocadas, o povo tem praticamente um misticismo sobre a saúde, toda uma mitologia a respeito de tratamentos, exames e a própria função do médico e das unidades de saúde. É um conjunto de enganos, falta de informações e fé quase cega que tem tornado bastante complicado o diagnóstico e o tratamento de muitos ao redor não só do Brasil, mas de todo o mundo.
Pequenas receitas medicina caseira são um exemplo, não que a medicina natural seja um grande erro, afinal muitas substâncias usadas em medicamentos são fruto de ervas e outras fontes naturais. Um exemplo de erro é o tratamento das queimaduras, se usa pasta de dentes, clara de ovo, café, manteiga, óleo e até mato moído... resultado? o doloroso trabalho extra de esfregar a mistura para limpar a ferida e o risco grande de infecção da mesma. Queimou? Basta por sob água corrente, se tiver sujo lavar com sabão neutro e não estourar as bolhas, apenas levar a uma unidade de pronto atendimento ou em casos maiores uma emergência.
Alguns casos são bem interessantes, o soro é um exemplo, é a maior invenção da medicina, nada conseguiu salvar tantas vida como ele. Ainda sim sua função é extrapolada, sendo usado bastante como um placebo, com função calmante, analgésica ou anti-pitiática (para ataques de necessidade de atenção). Primeiro que não passa de uma solução de água e sal (cloreto de sódio a 0,9%), seu uso real é para reposição de volume em caso de extensas perdas sanguíneas, reposição hídrica em queimaduras e desidratação, além de diluição de medicamentos e também usado para limpeza de feridas e curativo.
O raio x é outra invenção excelente, o primeiro exame de imagem criado. Salvou e salva muitas vidas diariamente, mostrando manifestações de várias doenças em órgãos e ossos. Pacientes curiosos, principalmente os mais simples, não conseguem compreender que apenas a história clínica e um exame físico são capazes de diagnosticar, precisam de algo palpável, mesmo que seja um pedaço de plástico preto e azul de onde não possam tirar conclusão alguma.
Certos exemplos soam irônicos, como se criticassem a ignorância popular, mas certo mitos devem ser esclarecidos. O paciente tem direito e dever de saber sobre a sua doença, o significado de seus exames e o tratamento ao qual ele será submetido. O médico tem obrigação de explicar cada passo, esclarecer dúvidas e ter certeza de que foi bem entendido. Tudo isso com a educação social devida e merecida. É bastante interessante e até um pouco chocante, a quantidade de processos que poderiam ser evitados apenas com um cumprimento e o esclarecimento de dúvidas.
Vitaminas, importantes? Sim! Regulam inúmeras reações e funções dentro do corpo, dentro de cada célula... Já os chamadas complementos vitamínicos, as vitaminas em cápsulas ou pílulas são apenas um extra. As vitaminas podem ser facilmente encontradas em verduras, frutas, folhas, algumas carnes, ovos e até luz do sol... a comida é a fonte! A velha história de que fraqueza é falta de vitaminas não passa de crendice, a falta provoca doenças muitas vezes graves como o escorbuto (falta de vitamina C). Em geral, os suplementos de vitaminas só dão uma dosagem absurda de vitaminas variadas que serão (em sua maioria) devidamente urinadas em pouco tempo... Urinar dinheiro é até doloroso para o bolso.
Outro ponto, ainda que finalizando, mas muito importante é a auto-medicação. Chega a ultrapassar a cultura popular e se tornar um problema de saúde pública. Muitos engolem rápido antibióticos ao menor espirro ou dor de garganta... outros fazem analgésicos de bala por qualquer dor. Ignoram o fato de que remédios são venenos em pequenas doses. A cada ano a resistência bacteriana a antibióticos cresce e faz muito tempo que não surge um novo antibiótico, as ferramentas para tratar infecções vão se reduzindo. Alterações na receita ou fuga dela tende a selecionar e criar bactérias cada vez mais fortes, o que foi prescrito é o testado e que funciona (se bem diagnosticada a doença). As toneladas de analgésicos e antiinflamatórios são bem lesivas ao fígado (paracetamol) , rins (nimesulida) e estômago (diclofenaco). Não digo para ter os chás como prioridade, mas saúde é coisa pra quem estudou, medicina cobre no mínimo 6 anos de estudo.... mas a média ultrapassa os 10 anos.


Respeite você mesmo, saúde é coisa séria!
Estude, procure saber e pergunte, ignorância é quase uma doença!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uivos do Concreto - CAPÍTULO 2 – A NOVA REALIDADE


Gostaria que tivéssemos tido mais tempo juntos, mas dias depois um lycan lupino, de aparência rígida e trajes militares, aparece a porta. Apresenta-se como um oficial de alta patente e irmão de meu pai, embora sua semelhança com ele entregasse tudo. Meu tio Leon, a quem não via desde muito pequeno. Após uma conversa breve com os pais de Luca, ele me chamou a sala e mandou-me fazer minha mala. Assustado e sem esboçar qualquer reação, concordei e me dirigi ao quarto. Juntei minhas coisas, o Luca me olhava triste sentado na própria cama, me aproximei sequei-lhe uma lágrima com um toque suave e lhe beijei com todo amor que pude. Foi o nosso adeus...
Tio Leon, ou melhor, Coronel Leon, não era má pessoa, contudo foi bastante rígido comigo. Ele era responsável por um programa militar especial para uma força lycan do governo e me
colocou nisso assim que chegamos. Era uma cidade especial longe de qualquer traço de civilização, cercada por uma floresta densa, tivemos de chegar de helicóptero, a vista era fantástica, mas mal a aproveitei, só conseguia ver os olhos tristes do Luca pra onde olhasse. Com alguns dias consegui, pela primeira vez na vida, me enturmar. Havia um certo sentimento de união entre os soldados, como um time. Eram todos lycans, das mais variadas espécies, leões, tigres, cães, cervos, cavalos... Como se cada um tivesse uma habilidade essencial ao grupo.
Os treinos eram pesados e também tínhamos aulas de matemática, física, estratégia militar, balística, explosivos, anatomo-fisiologia humana e lycan. Fomos treinados duramente para formar uma tropa de alto nível. Até que surgiu a primeira missão, não era algo grande, mas o clima de nervosismo e ansiedade estava presente. Teríamos de resgatar as vítimas de um seqüestro, terroristas estavam mantendo os filhos de um político estrangeiro de um país aliado como reféns, teríamos de resgatá-los e detonar todo o local com uma janela de apenas 1 h.
Um avião espião nos deixou próximos do local onde saltamos de pára-quedas silenciosamente, corremos para o norte seguindo os gps de pulso até encontrarmos o cativeiro. Eram por volta de 4h da manhã e tudo estava calmo, havia um terrorista armado montando guarda na porta de uma cabana simples. Um colega felino o abateu com um dardo tranqüilizante num tiro certeiro.
Nos dividimos e três grupos, um pelo lado direito da casa, outro pelo esquerdo e um terceiro
fazia a cobertura. Eu liderei o grupo de esquerda, olhei pela janela com um filamento óptico e vi as vítimas amarradas e mais oito ou nove terroristas bem armados, quatro dormiam em redes improvisadas e as vítimas jaziam no chão, imundas e desacordadas. Fiz o sinal, plantamos alguns explosivos e nos preparamos para entrar. Granadas de gás paralisante foram jogadas dentro da casa e com máscaras e óculos especiais entramos e atiramos tranqüilizantes em todos que se movessem. Eles reagiram atirando e acertaram a perna de um companheiro e um tiro de raspão noutro. Ao final da confusão os tínhamos amarrados num tronco próximo a casa e começamos um interrogatório, nada conseguimos extrair, até que surgiu o comando via rádio “ - Uso de armamento letal liberado! Matem os terroristas!”, gelei, nunca matei fora o ataque anos atrás. Os colegas se encontravam em situação semelhante, até que um terrorista se soltou e foi pra cima de mim, rolamos no chão e quando dei por mim tinha gosto de sangue em minha boca e um corpo sem vida sobre mim. Levantei-me, me sentindo imundo, meus colegas me olhavam amedrontados, simplesmente puxaram suas pistolas e atiraram nos terroristas. Ainda tínhamos cinco min antes da detonação e partimos. Um espião nos aguardava no ponto combinado, enquanto amanhecia vi de relance lágrimas em algumas faces e tremores. Ninguém me olhava mais nos olhos. Só se ouvia o barulho da hélice do helicóptero.
Fomos recebidos com honrarias e festa após o sucesso dessa primeira missão, meu tio se aproximou de mim e meu deu um abraço. Eu não sabia o que fazer, fiquei imóvel, ele disse em meu ouvido “ -Estou orgulhoso!” E voltou às festividades. Eu me retirei ao vestiário, disfarcei minhas lágrimas num banho demorado, lembrei-me de Luca, chorei silenciosamente ainda mais. Troquei-me e retornei com uma máscara de alegria à festa. Bebi com meus colegas, embora ainda houvesse um clima discreto e estranho entre nós.
Alguns dias após consegui uma licença especial para passar um final de semana fora do campo, “Recompensa de herói!” Segundo meu tio. Mandei depressa um e-mail ao Luca, embora houvesse troca de mensagens, já não nos víamos há três anos.


Fics Lupinas 7 - Lembranças e lapsos de passado... (Primeira Parte)


Este é um relato velho, fruto de lembranças de uma vida que mesmo curta pôde presenciar certos fatos que muitos seculares jamais sonharam. Não me gabo de nada, não escrevi tal destino a mim mesmo, sequer poderia... ou se pudesse, certamente não o faria! Minhas memórias não passam de um quebra-cabeças de peças faltantes, não recordo sequer de parte de minha infância. Para mim, a vida começou aos 13 anos... no meu primeiro contato com as trevas...
Eu vagava sozinho na praia, era noite de lua crescente, não fugia de nada, era apenas um velho costume. Podia muito bem estar com minha família adotiva, eram ótimas pessoas, um casal de pais carinhosos e um irmão com quase a minha idade, que se mostrava um bom amigo. Todavia, não me sentia parte daquilo embora gostasse muito deles. Sempre foram abertos quanto a questão da adoção, eu havia sido encontrado imundo e nu, andando sem rumo nas dunas próximas a stella maris, embora tivesse já 6 anos não pronunciava uma palavra sequer, como se estivesse aéreo. Acabei sendo adotado pelo psicólogo que cuidou de mim no hospital, os sete anos seguinte passaram como uma névoa.
A areia fria sob meus pés, a brisa fresca da noite tocando meu rosto e a grande lua crescente iluminava o caminho. O mundo era tão mais misterioso e belo à noite. Senti algo diferente naquela noite, a caminhada se transformou em corrida, o coração acelerava e batia forte como um tambor, havia algo por perto e me seguia, eu corri cada vez mais rápido, as roupas foram ficando pequenas, meu corpo queimava por dentro e o sangue parecia ferver. Parecia que algo dentro de mim estava acordando.
A paisagem passava como um borrão, num instante eu andava calmamente, noutro estava correndo, fugindo de algo desconhecido e meu corpo era bombardeado por uma mistura explosiva de sensações. O ar entrava frio e salgado nos meus pulmões, rápido o suficiente para arder a garganta, as pernas corriam sozinhas, os músculos queimavam, foi quando a dor surgiu! Rolei e caí no chão, me contorcendo, arfava forte e ouvia os estalos dentro do meu próprio ser, um sentimento que me parecia estranho e conhecido ao mesmo tempo me inundava, meus sentidos iam se ampliando, conseguia ouvir os insetos da noite sussurrando, cheirar a água fresca dentro dos cocos no alto dos coqueiros, a aspereza da areia grudando em meus pêlos... pêlos? Eu estava envolto como um casaco de peles, minhas mãos e pés se fizeram em patas poderosas com garras afiadas amarelas, algo subiu pela minha garganta com fúrias... foi meu primeiro uivo, nunca senti tamanha liberdade e vivacidade na vida.
Consegui me recompor, senti cheiros, havia um grupo próximo, ouvia seus corações batendo à distância, mas outra coisa chamava minha atenção... não possuía cheiro, não emitia sons ou podia vê-la, mas a sentia por perto. O medo e a fúria tomavam conta de mim, como aquilo podia se aproximar sem que eu pudesse ver e o que poderia fazer? Como poderia me defender? Instintivamente olhei para a grande lua, praticamente supliquei por alguma ajuda, como um filho precisando da mãe. Senti meu olhos queimarem por dentro, apertei-os fechados sentindo a dor passar, quando os abri o mundo era outro, tudo parecia mesclado em tons de cor e cinza sombrio, piscava distorcido. Foi quando percebi a criatura...
Era como uma escultura de dor e fúria, pareci uma massa retorcida e negra, recoberta de arame farpado, olhos sangrantes e argolas de metal penduradas, não possuía pés, eram patas como um caranguejo desajeitado e disforme. Nem os pesadelos de esquizofrênicos torturados conseguiriam produzir algo tão repulsivo e hediondo. Sentia agora seu cheiro, como vinagre estragado, cobre sujo e feridas infectadas, uma mistura pútrida que me provocou vômitos na hora. A vi se aproximar lenta, não fazia uma marca sequer na areia fina, como se não estivesse realmente ali.
Paralisado! O terror circulava gélido nas minhas veias, o gosto amargo do vômito queimava minha garganta, eu não consegui fazer nada, apenas tremia enquanto ela se aproximava. Foi quando o vi, era como um lobo gigantesco, de pelagem prateada, com uma tira de couro trançada na pata dianteira direita, tinha grandes presas amarelas, mas emitiam um brilho estranho, assim como suas garras, o vi saltar sobre a criatura e a estraçalhar como se fosse uma peça de carne estragada, rasgando e vomitando os nacos negros. Tudo começou a girar e ficou escuro...
Acordei sentindo o calor de uma pequena fogueira, deitado na areia branca, levantei rápido e percebi envergonhado minha própria nudez. Havia outros sentado em torno da fogueira, cerca de sete pessoas, entre homens e mulheres, adolescente e até um senhor de idade de cabelos longos, na altura dos ombros, sem camisa... Me viram acordar, um rapaz um pouco mais velho que eu me estendeu uma bermuda jeans surrada e um sorriso, me vesti rápido e sentei-me junto a ele no círculo. Eram todos desconhecidos, mas me senti tão à vontade quanto numa família.