sexta-feira, 6 de junho de 2008

E agora doutor?


Faculdade longa e difícil, horários enlouquecedores, vários locais de trabalho, dinheiro... razoável, centenas de pacientes, vários medicamentos e doenças para ter de memória. A 'vida' de um médico se confunde com sua medicina, qual nunca passou um feriado de plantão? Ou o réveillon trabalhando? É uma profissão que envolve e torna-se parte da pessoa.
No lado oposto da equação, o paciente. Horas nas filas, doente, cansado, desamparado, buscando um fim para sua doença. Mas pouco informado, acaba indo para locais errados, informação fruto de uma cultura errônea, imediatista.
Os hospitais lotados, gente pelos corredores, pacientes sem leitos, é dura a realidade da saúde no Brasil, o governo tem uma parcela esmagadora de culpa, mas o povo também leva sua cota, assim como os profissionais da área.
O estilo do Sistema Único de Saúde é funcional e eficaz, é o mesmo do Canadá, Cuba, Costa Rica e outros países, contudo no Brasil se vê este verdadeiro absurdo. Está aberto a toda população, realiza os mais diversos procedimentos e atende sob as mais variadas especialidades, contudo por corrupção, desvio de verbas e falta de informação, o sistema se encontra em estado precário.
Há uma hierarquia de complexidade, onde na base estão diversas Unidades Básicas e no ápice temo os grandes Centro médico-hospitalares. Mas, por falta de informação, a tendência geral é sempre ir às emergências hospitalares independente da gravidade da doença, O QUE É UM ERRO!
Há diferença entre urgência e emergência, a primeira é importante mas não tem risco de vida, enquanto a segunda apresenta risco de morte. E o que acontece na primeira gripe ou uma torção de tornozelo? Vai para a emergência para ser atendido rápido... Resultado: Emergências Superlotadas! O que fazer com uma vítima grave de acidente quando o único centro cirúrgico de um hospital está ocupado retirando um furúnculo?
Os corredores repletos de pacientes, os médicos abarrotados de prontuários, trabalhando 80 horas semanais ou mais, com plantões de 12h, 24h... medicando até a exaustão. Pacientes que entram para consulta e não fornecem informações direito para um diagnóstico correto, ou inventam queixas e pedem atestados, ou simplesmente querem fazer uma bateria de exames sem motivo (e não querem ser examinados). Check up é moda? Mas quando descobre que tem hipertensão se recusa a cortar o sal, ou é um diabético que não quer deixar seus docinhos...
Eis aí uma boa questão:

"Um check up ocasional serve como desculpa para manter um estilo de vida nada saudável?"

Hora de montar a cena: 'Seu Fulano' 50 e poucos anos, adora um torresmo, é doido por frituras, lhe falta educação para saber o quanto isso faz mal, e continua o exagero... vai fazer seu 'check up' (leia-se exame de sangue, fezes e urina - o povo acha que isso é um check up) e descobre uma aterosclerose... que pena! Só resta de dizer: e agora doutor?*

[*Agora é bye-bye pro torresmo e olá para os remédios e dieta]

Um comentário:

Anônimo disse...

Vai ser o Dr mais letrado desse mundo. =)