terça-feira, 25 de novembro de 2008

Eu faço o meu trabalho... se você não faz o seu não é problema meu!


Saúde, um dos mais importantes itens numa sociedade, o básico de uma boa existência... ou ao menos uma existência razoável. Vemos em todas as organizações sociais, desde pequenas famílias nucleares até grandes blocos multinacionais que seu sistema de saúde é reflexo não só dos fatores culturais, como também das relações interpessoais dos seus indivíduos e suas identidades dentro da superestrutura. Em resumo, o que vemos ao analisar um sistema de saúde é uma versão menor e amostral dos valores da sociedade ao qual o sistema pertence.
A nível de Brasil há uma hierarquia de qualidade dentro da saúde, uns poucos com acesso a uma tomografia antes de dar sequer um bom dia, em outros pode-se aguardar bons 40min para uma conversa rápida e uns exames... e o nosso campeão de audiência! Onde se aguarda 2 meses por uma consulta e mais 3 pra marcar um exame de 5 min, outro 2 para uma segunda consulta, somente para resolver uma doença que termina em três dias...
E diante da nossa sociedade imediatista, recorre-se às unidades de emergência com os mais absurdos motivos, cortes superficiais ocupam vagas destinadas a acidentes automobilísticos e tonsilites no lugar de crises hipertensivas. E o que fazer quando além de uma demanda superior à oferta somada a completa desordem e ignorância de prioridades? Aumentar a oferta e definir junto aos usuários a hierarquia de prioridades. Simples? De fato é! Todavia certas verbas teimam em parar em contas particulares e não se percebe nenhuma estratégia que mostre a população o que é ambulatorial, urgência e emergência.
O Brasil possui o melhor sistema de saúde já criado no mundo, o SUS, utilizado no Canadá, Cuba e Costa Rica (dentre outros), a questão é que nestes países é levado a sério e funciona! Enquanto deste lado da cerca... bom, basta pegar qualquer meio de comunicação para se ter uma idéia. Voltando a teoria do espelho, se a saúde que é tão importante anda desse jeito... como será que está o restante do país?
Um sistema de saúde requer uma boa interação entre seus mais diverso profissionais, desde aqueles que saem manchados de sangue, até os que passam os dias cercados de papéis e números. As conexões entre os pacientes e a documentação é imprescindível, não somente pela organização e catalogação dos procedimentos, mas para estruturar as futuras estratégias de saúde e dar suporte a avaliações detalhadas do perfil da população e suas moléstias.
Observa-se que ao invés de uma grande equipe interagindo para o sistema fluir, temos um verdadeiro arquipélago de classes profissionais, ao que parece cada um se preocupando apenas com sua própria função... um problema que cria uma vítima, o paciente! Processos simples que deveria correr em poucos minutos acabam por tomar horas, vê-se cada tipo profissional isolado em seu mundinho se preocupando apenas consigo e o risco de processo... ignorante a outra ponta da equação, como se fosse outra realidade alheia a dele.
Um fato interessante é a facilidade com que se pode observar as ilhas profissionais, basta entrar num hospital, de um lado um grupo de médicos discutindo, do outro enfermeiros conversando e preparando tratamentos prescritos, fisioterapeutas elaborando exercícios, nutricionistas, auxiliares de enfermagem, ... e no final da lista o paciente que aguarda um diagnóstico, sua terapêutica de tratamento (seja farmacológica ou fisioterápica) e exercendo plenamente sua denominação... sendo paciente, para que se lembrem de que ele os aguarda para poder continuar.


Mesmo que seja um festival de múltiplos profissionais, o sistema de saúde ainda é ÚNICO!
SUS

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fics Lupinas 5 - 25 Vampiros e um frango mágico na chapada...


Conquistamos a mansão, prudência (ansiolíticos) e uma boa caminhada (acompanhado de uma garrafa de whisky) me acalmaram quanto a sórdida armadilha de Govannon e sua miniatura de sanguessuga. A árvore brilhante trazia calma, emanava um poder ancestral antigo, era como estar em casa... ainda que estivesse na mansão com aquele maldito! Acabei decidindo por ficar na casa e guardar tão precioso tesouro, ao menos até conseguir uma forma de tirá-lo de lá...
Após noites calmas, tudo parecia ir bem, sem novas armadilhas e o grupo parecia estar mais entrosado, aquele ridículo metido a índio (que mais parece uma bolsa de moedas de couro) parecia interessado na gagsterzinha... Há coisas que eu preferia nem ver... Era uma discrepância de mundos bastante gritante!
De repente o índio me apareceu com uma proposta interessante, uma magia que eu até então desconhecia, um ritual que me seria bastante útil... acho que esta foi a primeira vez que o "courinho" foi útil para alguma coisa de fato. Era um um ritual de magia urutha, um ritual de dedicação das vestes, para não destruí-las durante a transformação ( coisa que já estava me custando bastante caro!). Bom, proposta aceita, ele me pediu um local com privacidade e contato direto com a mãe terra, lá fomos às dunas novamente.
Em pleno palco de minhas mórbidas memórias, se deu nosso ritual, com uma pequena fogueira, palavras de poder e gestos... foi simples, mas bastante interessante (preciso aprender isso!) Concluído o processo, me senti estimulado a lhe oferecer um pouco do vinho que eu havia trazido, mas ele preferiu a cachaça artesanal (que também estava na minha mochila). Boas bebidas à luz da lua, isso sim é um ritual!
Inspirado pelo seu pequeno (e prático) ritual, 'Courinho' nos faz um convite uma jornada a sua terra, nas matas (restantes) da Chapada Diamantina. O argumento foi bom... um ganho substancial de poder, as batalhas seriam mais interessantes. Horas de ônibus, horas num trilha no meio da mata, mais horas na mata sem trilha. Imaginei se em algum momento não acabaríamos chegando a Goiás...
Ao final de nossa caminhada digna de um carteiro em hora extra, uma pequena e simples cabana, discreta por dentre as árvores... até fazendo parte do cenário. O interior era tão rústico quanto o exterior, perfazendo quase uma oca. Senti falta da civilização. Após certo descanso, um pouco de água e frutas frescas, ouvimos de Kirin (courinho), como seria o ritual, sobre a tribo indígena que mora próximo e outras frescuras sobre respeito e outras coisas...
O ritual procedeu sob a lua, em volta de uma fogueira, todos os urutha do nosso singular grupo; lá estava eu, uma filhota de gansgter, um narcotraficante exótico e um protótipo de bolsa de couro metido a índio. Que ótima alcatéia me meti... faíscas e efeitos à parte, foi uma cerimônia interessante, contudo o totem escolhido não me cheirava bem, como poderia ter respeito por aquele frango redondo? Me pareceu contrário a minha natureza, mas ainda sim algo interessante viria dali.
O retorno à velha mansão, a viagem fora calma (e longa)... mas algo naquela noite traria um pouco de emoção. Já eram altas horas, a gangster tinha arrastado o courinho para uma boate, o narco se embrenhou sabem os deuses onde, estávamos apenas Govannon, Raimundo e eu,na mansão. Havia devorados alguns artigos e estava curtindo o sono dos justos até escutar barulhos estranho vindos do corredor... Espreito à porta com duas seringas de curare concentrado (paralisante muscular), o som parece vir lá de baixo, no corredor vejo Raimundo e Govannon de pijamas (assim com eu) com armas em punho. Escutamos passos à escada, muitos deles... e uma multidão de 'vampiros' desponta no vão.
Não nos atacam, abrem espaço e vemos o que parece ser o líder, de aparência enauseantemente hedionda, se denomina Pesadelo, num tom rouco e metálico de voz. Ao erguer os braços, percebemos que em sua mãos jaziam inconscientes a pequena sanguessuga Jéssica e a sedutora ruiva Sophie. Um sorriso podre e um estalo, nossas aliadas haviam sumido e um número considerável de inimigo acabava de apontar armas para nós.





Fics Lupinas 4 - A criança das trevas e seu guardião


Desde o fatídico encontro no Bahia Café Hall com sua posterior destruição já imaginava que havia algo estranho neste mago. Não que algum mago mereça confiança, mas este em particular testa cada vez mais a minha já curta paciência lupina. Sempre com suas intenções obscuras e segredos, realmente tê-lo como aliado é algo cada vez mais desafiador, um verdadeiro teste de vontade.
Após aturar as dificuldades costumeiras com criaturas das trevas e seres malditos buscando minha extinção, acabei me tornando um pouco mais sábio, mais arisco. Mas este senhor de nome Govanom, ainda que jovem para o título, traz um fundo de mistério e uma névoa de incertezas ao seu redor.
A já atribulada visita a Mansão Hildemberg, nosso atual QG, foi o primeiro grande desafio. A invasão sendo simples demais, aquela misteriosa criança, como um dito ninho de sanguessugas tem apenas o cheiro de uma criança? Aquela menina pálida de aparência morbidamente inocente foi a única amostra de habitação daquela grande mansão. As tentadoras promessas de nosso misterioso anfitrião quanto aos tesouros lá dentro nos motivaram, mas o preço não foi barato.
A dura batalha naquela maldita sala de prata, recoberta de estacas, o suor e a adrenalina correndo loucamente sob os pêlos, a vida parecia ter o minutos contados. E como já não estivesse tudo miseravelmente difícil, aparece aquela horrenda criatura, que me descrevem como um semideus de uma dimensão alheia a minha compreensão restrita. Um ser de tamanho poder e bizarrice, que parecia ter saído dos piores pesadelos de todos os psicóticos drogados dessa maldita cidade somados.
Pentes e mais pentes foram gastos, as garras não ultrapassavam mais que superficialmente aquele couro maldito, estávamos prestes a ser fritos com raios, como o falecido Govanom fora minutos antes.
Em meio a adrenalina uma fagulha se acende em minha transtornada mente de gauru, o cheiro da casa ainda parecia abrigar apenas a garota, a cena parecia demasiado absurda para existir e num rápido pensamento gritei ao Antônio, o companheiro que se via perdendo os próprios membros em pedaços, que usasse suas ultimas forças para se livrar da menina.
Nem a ruiva conseguia manter seu orgulho, arrastando-se pelo chão e tentando alcançar a pirralha pálida, ambas pareciam sofrer juntar um mal invisível que as consumia. Ela ficou surpresa ao ver o golpe de Antônio sobre a menina. Em seguida tudo é uma névoa colorida e todo o tecido da realidade se esgaçou.
Acordamos sem danos, eu já voltara a minha humanidade e Govanom estava sentado numa poltrona, vivo! Com a garota em seu colo, tudo fora uma ilusão! A menina de aparência inocente e seu guardião haviam nos pregado uma peça! Mesmo após a bendita explicação, meus sangue fervia... a raiva pulsava em vermelho vivo sob a minha pele, minha única vontade era estraçalhar a ambos e sentir o sangue escorrer dentre meu dedos.



A desgraçada prudência me manteve quieto... ainda não era o momento...