segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uivos do Concreto - CAPÍTULO 4 – PRAZER E CULPA


O final de semana em casa passara rápido, disfarçávamos na frente dos pais de Luca, mas quando ficávamos a sós aproveitávamos cada segundo juntos. À noite no domingo um carro veio me buscar para voltar à “Escola”, despedi-me de todos com abraços calorosos e cochichei no ouvido de Luca: “- Anseio pelo nosso próximo encontro...”, entrei no carro e parti.
Quando voltei, fui direto ao dormitório guardar minhas coisas, minutos após fui chamado ao
escritório do Coronel (meu tio) Leon. Entrei, ele fez sinal para eu me sentar, então observando a paisagem através da janela deu-me a notícia: “- Tenho uma nova missão para você. Será mais difícil que a primeira, mas com o treinamento certo você terá êxito”. Eu estava sem fala, aquilo me desceu gelado ao estômago, mais uma vez, será que eu mataria de novo? Após entregar-me os papéis da nova missão, o coronel me dispensou. Os li no quarto, parecia um desafio quase impossível, eu teria de invadir uma embaixada e roubar documentos. Bom, eu e um novo parceiro.
Os dias foram passando e o foco dos treinos alterado para a nova missão; guerrilha urbana, invasão de edifícios, artes marciais silenciosas, fora o estudo contínuo das plantas do local. Embora encontrasse meus colegas sempre na base sentia falta deles, do espírito de equipe, agora eu tinha um trio de instrutores só para mim e eram bastante severos e exigentes. Já fazia uma semana desde que recebi a missão, já era tarde da noite e eu me dirigia ao vestiário para um banho, estava fedendo a suor e muito cansado... Debaixo d'água parecia que tudo estava melhor, era relaxante, fechei o chuveiro e comecei a me ensaboar fazendo bastante espuma em todo meu pêlo, imagens do Luca vieram a minha mente e comecei a me tocar. De repente escuto uma voz: “- Então é assim que os ocidentais treinam para as missões difíceis?”, me assustei e virei rapidamente, foi quando o vi pela primeira vez: alto, atlético, de pêlo cor de chumbo com listras negras brilhantes, um brinco de aço na base da orelha felina, longos bigodes, nu como eu e também excitado. Outra vez meu pêlo escondeu o quanto ruborizei, ele me olhava com malícia e eu estava imóvel, completamente envergonhado de ser pego em tal situação: coberto de espuma, excitado em plena ducha comum. Ele se aproximou de mim, abriu meu chuveiro, me empurrou pra debaixo d'água num rápido movimento e me enroscou em um abraço apertado e um beijo quente daquela língua áspera que me deixou paralisado. Em seguida ajoelhou-se com a face bem próxima de meu membro rijo, olhou para mim e disse: “- Belo fuzil soldado! Está carregado?” E passou a áspera língua felina de baixo para cima, me fazendo arrepiar cada pêlo do corpo. No momento seguinte eu afagava sua cabeça enquanto ele me sugava numa volúpia que me arrancava uivos (que eu tentava abafar a todo custo), meus olhos não acreditavam no que viam, era o lycan felino mais lindo que havia visto, um corpo muito bem trabalhado, olhos verde-dourado magníficos um moicano baixo em chumbo com listras negras em sua cabeça e ele parecei querer me engolir inteiro. Parecia um profissional, foi descendo a língua até meus testículos, os lambeu maravilhosamente, mas não parou aí, aos poucos me foi abrindo as pernas e tocou a língua num ponto que me descontrolou no mesmo segundo e cobri sua face, ele se levantou, foi ao chuveiro ao lado, tomou banho calmamente, se enxugou e enrolado numa toalha ofereceu sua mão a mim e se apresentou: “- Ryuh Sakae, agente especialista em eletrônica. Serei seu parceiro nessa missão, Winnigham!”, apertei sua mão meio desnorteado e ele saiu para se vestir, me deixando estático embaixo do chuveiro. Foi difícil terminar banho e me vestir, para ser sincero nem sei como cheguei no quarto de tão zonzo que saí do vestiário... Ao chegar no meu quarto percebo um vulto no beliche que antes eu usava sozinho e duas malas grandes junto ao armário, era verdade, ele era meu novo parceiro...
Dormia profundamente, calmo, parecia um anjo felino. De repente me percebo olhando seu corpo seminu e a face de Luca vem a minha mente, vozes ecoavam lá dentro: “O que eu tinha feito? Havia traído o único que me amou! Que tipo de desgraçado eu me tornei?”, a culpa doeu fundo no peito e deitei em minha cama. Lágrimas já rolavam em minha face quando eu consegui pegar no sono.
Acordei cedo com o despertador, a cama de cima estava vazia, a malas não estavam mais lá,
“Seria tudo um sonho?”, contudo no instante que olhei a escrivaninha havia um laptop moderno coberto de adesivos e meu nome estava na tela, levantei e apertei uma tecla qualquer, apareceu uma mensagem e um arquivo com ícone de gato: “ Bom dia meu caro colega! Espero que tenha dormido bem, ainda mais depois da ótima brincadeira no chuveiro... O arquivo em anexo tem detalhes de nossa missão e minha ficha, para você saber com quem está lidando. Espero que continuemos nos dando bem! =^.^=” - Era verdade! Ainda doía a culpa, mas resolvi enfiar a cabeça no trabalho. Após alguns minutos havia lido tudo, com meu novo parceiro a missão seria mais possível, era um profissional, embora com a mesma idade que eu! Havia sido treinado numa base em algum lugar no Japão, que o havia emprestado a nós por motivos políticos em comum nessa missão. Eu teria um parceiro bem interessante para este trabalho...
Foram dias cansativos que vieram depois, os treinos foram se tornando mais complexos, Ryuh parecia ser duas pessoas, eram completamente profissional durante os treinos e me envergonhava em todos os outros momentos, me falava coisas no ouvido, me olhava lascivamente, eu tentava evitá-lo, lembrava de Luca, mas Ryuh agora bagunçava minha cabeça. Numa noite, após um dia de planejamento e montagem de estratégias, eu tentava relaxar num banho tranqüilo e ele apareceu. Veio ao chuveiro ao lado, o restante estava vazio devido à hora avançada, éramos sós nós dois; embaixo da ducha ele me devorava com os olhos, eu me virei para esconder minha excitação e como se percebesse me abraçou por trás e disse no meu ouvido: “- Diz aí Lobinho, quer brincar com o gatinho aqui mais uma vez?”, eu não consegui responder, ofegava, até que ele olhou para baixo e percebeu meu estado, me apertou mais forte e disse: “- Hum... pelo visto o lobinho está doidinho por este belo felino aqui...”.
Ele me pressionou contra a parede, de costas para ele e começou a lamber minha nuca, costas e foi descendo, eu somente ofegava, um mar de imagens se passava em minha mente, eu já não raciocinava... Ryuh levantou minha cauda e começou a brincar com língua, eu gemi baixo, mas ele ouviu e fez mais para me arrancar mais gemidos, eu estava entregue! Subitamente, ele me colocou deitado de costas no chão, foi me lambendo o peito, barriga, virilha, até que me abocanhou e sugou como só ele sabia fazer... Eu gemia, já uivava de olhos fechados, até que uivei com uma lágrima correndo de um dos olhos e soou abafado: “- Luca!”, Ryuh parou, me puxou para perto dele e perguntou: “- Quem é Luca?” E ao que lhe respondi: “- Meu primeiro e único amor!”, o olhar de Ryuh mudou para algo frio e pesado e ele me disse: “- Se o lobinho tem dono, porque saiu pra brincar?”, levantou e saiu, me deixando sentado no chão sozinho com minha culpa.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cores que contam histórias...



Vermelho: E ele levantou, corria por sua vida, a perna direita queimava, um gosto amargo na boa, o medo queimando suas veias. Correu engolindo a dor, guardando cada grito para um momento mais oportuno... havia uma ruína velha por perto, se tornou seu esconderijo, sua fortaleza. Respirava arfante, não havia muito em volta, apenas mato e lixo, o fedor de urina velha fazia o nariz doer.
Silêncio, só conseguia ouvir o coração em tambor, forte, acelerado, como se batesse dentro da cabeça, latejante. Abafava sua respiração, apurava os ouvidos tanto quanto podia, fingia não sentir o calor escorrer por sua perna ferida. Lembrava do estrondo, do medo, da dor em fogo; até que sua lembranças foram interrompidas. Haviam chegado, o que pareceram horas eram apenas minutos breves... a ansiedade amargava cada suspiro, era doloroso até pensar... se ele o pudesse fazer.
O mundo rodou, a realidade distorceu, o corpo se contorceu tentando sobreviver, cada sentido foi enfraquecendo, até que tudo tomou o tom vermelho...

Verde: Acordava lentamente, sentindo cada músculo relaxado, o mundo parecia até mais leve, fluido... se levantou, olhou em volta, tudo parecia tranqüilo como sempre. Até o viu, jogado no chão, tremendo, ferido, sangrando. Levantou rápido, tonto de susto e da velocidade, foi observar o jovem caído, respirando fraco, gemente, buscou acordá-lo, o sacudiu, tudo inútil... correu por ajuda, buscou o telefone mais próximo, a atendente pareceu não crer de início, mas uma ambulância foi enviada. Correu de volta ao jovem, viu a perna sangrenta, suja, tirou sua faixa verde da cabeça e amarrou no membro para parar o sangramento. Tinha visto como fazer num filme, anos atrás.
O socorro veio, foram rápido, o pegaram e levaram para longe, numa maca... a última coisa que viu foi sua faixa verde ser tomada por vermelho...


Branco: Acordou por um momento, luz forte no rosto, vultos brancos o cercavam, movimentos rápidos, palavras incompreensíveis, não podia se mover, a perna ainda latejava, até que desistiu e fechou os olhos outra vez. Algum tempo depois acordou novamente, a cabeça latejava e a costas doíam, não sentia mais a perna doer, haviam lhe ajudado? Estava ainda tonto e sonolento, olhou um pouco aqueles vultos branco que circulavam e dormiu outra vez cercado por aqueles vultos sem cor.


Laranja: Às vezes sentia pena deles, noutras indiferenças e em algumas até um pouco de raiva, cada um tinha sua história, umas sofridas outras de imprudência. Sabia um pouco de cada, mesmo os que passavam pouco tempo sob seu cuidados, como era cuidadosa e detalhista. Sabia bem os horários de cada um de memória, os cumpria com rigor e os fazia tomar cada comprimido necessário para seu tratamento. Sempre que podia, ouvia um pouco mais de suas histórias, se envolvia com elas, lhe motivavam, lhe comoviam, lhe ensinavam. Dessa vez pegou uma gota de pena, era a vez daquele jovem, que sofreria em breve uma dose a mais do que provavelmente já carregava. Levou-lhe um pequeno copo d'água e seus comprimidos laranjas... mas sabia que sua dor seria outra.


Lilás: Finalmente abriu os olhos sem ter neblina à sua frente ou tontura, observou em volta, estava num hospital, acamado entre tantos outros. Já havia esquecido da perna, uma enfermeira veio lhe dar pílulas laranjas, tomou-as sem reclamar. Uma senhora veio em sua direção, usava um jaleco alvo, um instrumento de borracha sobre os ombros, se aproximou, se apresentou, era sua médica, estava cuidando de seu caso. Sequer entendia metade do que ela lhe falava, observava perdido uma flor lilás pendurada em seu colar, era de tecido ou palha, fina como uma rosa, bem trabalhada... se perdeu por dentre suas pétalas, até que finalmente fora acordado por palavras que doeram fundo dentro de si: "Não conseguimos salvar a sua perna..."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Uivos do Concreto - CAPÍTULO 3 – REENCONTRO


As horas passavam como séculos, sequer prestava atenção na bela paisagem da janela, só via os olhos castanhos carinhosos de Luca em minha mente. Cheguei a sua casa e fui recebido como um filho querido, após um almoço maravilhoso que matou a saudade de comida de mãe, o Luca e eu fomos ao quarto conversar.
Ainda que tivéssemos nos comunicado, nunca pude dizer-lhe o que eu realmente fazia, era sigiloso e o sistema da base detectaria, então basicamente eu só estava numa escola militar. Mas entre nós sequer houve qualquer palavra, nossos olhos se encontraram (como da primeira vez), eu via meus olhos azuis no reflexo dos castanhos dele, no momento seguinte éramos um só novamente. Nossas bocas se uniram em inacreditável sintonia, eu sentia sua pele lisa esfregando no meu pêlo, seu cheiro extasiava as minhas narinas, o sabor enlouquecia minha boca, o tempo simplesmente não existia para nós. Ele estava deitado em sua cama e eu explorava seu corpo, o aroma inebriante, o sabor a cada lambida, seus olhos estava fechados e ele respirava ofegante. Retirei suas roupas e ele as minhas, foi quando o vi nu pela primeira vez, era o corpo de um homem, bem talhado e modelado, apenas poucas áreas com pêlos castanhos densos, era um contraste com o meu próprio corpo. Num movimento rápido ele inverteu nossas posições e passou a explorar-me o corpo, meu cheiro o enlouquecia, ele lambeu meus mamilos, passou o rosto em meu peito, barriga e me tocou o membro. Eu estava rijo, escorria, ele provou o aroma e tocou a língua devagar. Começou a lamber como a um doce maravilhoso, tive extrema dificuldade em me controlar para não gemer, sua boca já me envolvia, eu sequer conseguia abrir meu olhos, apenas curtia as sensações fantásticas de seu carinho em mim. Pus um travesseiro contra a boca e uivei abafado que atingi o êxtase, ele sorveu tudo e partilhou comigo do meu próprio sabor. Arfamos juntos e nos abraçamos nus, deitados em sua cama. Seus pais bateram a porta dizendo que iriam sair ao mercado de hidropônicos, nos despedimos deles sem nos levantar, através da porta trancada. Tínhamos o resto da tarde para nós.
Passamos alguns minutos olho no olho, abraçados, sentido o calor um do outro, aproveitando aquele momento, foi quando sem meu controle, eu meio que por instinto lhe disse: “- Eu te amo...”. Os olhos dele brilharam, um sorriso lindo brotou em sua boca, ele me abraçou forte e disse em meu ouvido: “- Há muito tempo eu esperava ouvir isso. Eu te amo também, desde a primeira vez que te vi”.Nesse momento algo estremeceu dentro de mim, eu já não me sentia mais sozinho, havia alguém que me tinha no coração e esse alguém me fazia feliz só por existir.
Mas novamente o aroma tomou minhas narinas, quando vi em seus olhos o desejo, ele me queria e eu a ele. Comecei a explorar-lhe o corpo, cheirava a cada centímetro, a pele lisa e quente exalava aquele perfume extasiante, deslizei minha língua sobre seu peito e abdome até que alcancei sua virilha, o cheiro estava mais forte, meu faro me levou mais abaixo, ergui as pernas de Luca e pude finalmente ver a fonte do aroma. Era rosado, liso, lindo, provei o gosto, levemente salgado, mas com algo diferente, o sabor dele, minha língua passeava livre e
selvagem, um som me chamou a atenção, meu Luca estava arfante, gemia gostoso, com aqueles olhinhos fechados e mordendo levemente o lábio inferior. Ele gemia no mesmo ritmo em que eu o explorava, gemidos abafados me pediam mais e mais, me incendiava o prazer que ele sentia comigo.
Em meio a todo aquele prazer algo estranho pulsou novamente em mim, em foi crescendo, meus instintos foram me tomando, eu já não estava com meu amor, era minha presa! Puxei-o num rápido movimento olhei dentro de seus olhos, que agora demonstravam medo e o pus de quatro a minha frente. Ele murmurava algo que eu não conseguia escutar, o cheiro era mais forte, meu membro estava rígido e sedento, eu queria possuir aquele a minha frente, seria somente meu, minha presa, adentrei-lhe lentamente. Eu o fazia desfrutar cada sentimento, ele ofegava, suava, gemia baixo, fui invadindo aquele corpo devagar, bem devagar até sermos um único corpo.
Então perguntei a ele em seu ouvido: “- A quem você pertence?”, ele respondeu meio gaguejante e trêmulo: “- A você! Sou apenas seu!”. Foi então que comecei, rítmico, sensual, como uma dança, o prazer era fantástico e me inebriava, ouvir os gemidos de Luca me alimentava, parecia que o tempo havia parado e o universo não existia. Segurei firme os quadris de dele, aumentei o ritmo, mais forte e mais rápido, se ouvia o impacto do meu corpo no dele, Luca gemia mais alto, parecia enlouquecido.
Não sei quanto tempo ficamos nesse transe maravilhoso, mas de repente ele começou a gemer estranho mais alto e eu senti o pulsar dele em mim, tinha atingido o êxtase! Me pressionava, não resisti e uivei, alcançamos juntos o prazer, o nirvana, a energia da existência corria em nossas veias e nos brindava de sensações fantásticas, inundei o Luca e caímos juntos, extasiados, na cama e pegamos no sono abraçados.
Acordei relaxado, feliz, senti algo acariciando os pêlos alvo-prateado de meu peito, era o Luca, ele deitado a meu lado e me fazendo carinho. “- Oi!”, eu lhe disse e “Bem vindo de volta!”, ele me respondeu enquanto recostava a cabeça em meu peito e brincava com os pêlos de minha barriga. Ao olhar à janela vi que já era noite, eu havia dormido por horas. Afaguei seus cabelos castanhos encaracolados, olhava para seu corpo, tão lindo, macio, pele lisa levemente amorenada pelo sol, era magro, mas bem contornado, era um homem bem formado com a pureza de um menino. Contrastava comigo, eu era mais alto e mais largo, músculos definidos no duro programa de treinamento, coberto de pêlos azul-claros, mas do queixo a face interna das coxas era uma faixa branco-prateada, era o corpo de um lobo.
O som dos pais de Luca à porta quebrou nossos pensamentos e nos convidavam a jantar, Luca levantou-se sentou sobre mim, puxou e me deu um beijo apaixonado e delicioso, me olhou por uns segundos e foi tomar banho. Sentei-me na beira da cama enquanto minha mente relembrava a maravilhosa tarde que tivemos, as sensações, os carinhos, o prazer, até se interrompido pela saída de Luca, cheiroso e enrolado na toalha. Levantei e fui tomar meu banho, enquanto ele me admirava andando pelo quarto.