sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bordados e manchas - em vermelho vivo



Eu, desde o início, tinha desconfiado daquela casaca mal alinhada.
Primeiro, os sonhos. Uma perseguição atrás da outra, sensação da morte batendo à minha porta. Acordava com a boca seca, precisando de algo que nem eu mesma sabia o que. Abandono, solidão, medo.
Logo em seguida, o convite para a Feira de Ocultismo. O cartaz surgiu do nada, onde sei que é proibido colar cartazes. Parece que foi só eu aparecer e pronto, o cartaz na minha frente, me seduzindo. Ainda bem, que por obra do destino, acabei não indo. Certamente minha raiva por Govannon aumentaria.
Foi então que ele se fez perceber. Convidou a minha pessoa para uma reunião no Bahia Café Hall. O único contato breve e distante que tive com ele antes da reunião foi um telefonema. Ao telefone não ouvi nada que me interessasse realmente. Teria que pagar para ver.
Logo quando eu cheguei na boate percebi que não era uma reunião a sós com Govannon. Estavam presentes alguns outros convidados. Foi então que vim a conhecer O japonês-arrogante, O retirante-aventureiro, A tarada-da-capa-preta, O introspectivo-interessante e Govannon.
Meu erro naquela noite foi não prestar atenção para o que realmente interessava: GOVANNON. Estava mais interessada nos convidados. E foi nesse deslize que eu quase morri. Queimada. O prédio ardia em chamas, estávamos todos presos no segundo andar. Não sabendo exatamente o que fazer, percebi o quanto de poder estava espalhado naquela Sala Vip. Todos os presentes exalavam poder. Percebi então que poderia me guiar pelo introspectivo-interessante. Ele olhava fixadamente para alguma coisa. Perguntei o que era. Rapidamente veio a resposta: cinco vultos pareciam provocar aquele incêndio. Mas não tive tempo para agir. As luzes iriam se apagar, iríamos morrer queimados se não tomasse uma providência. Foi então que Govannon explodiu umas das paredes que dava para a rua dos fundos. Quando todos conseguiram escalar os dois andares, os bombeiros estavam chegando ao local do incêndio.
Mas ainda havia perigo, estávamos sendo perseguidos por três dos cinco vultos. Corri para longe dos escombros na tentativa de conseguir enxergá-los. Após ver os “semi-vivos” tentei intimidá-los, sem sucesso. Tomei um tiro de raspão. A partir daquele instante nenhuma ação faria sentido para aqueles que ainda dormem... Conseguimos derrotá-los depois de algum tempo árduo, com a ajuda de um homem meio estranho de cabelos brancos, criatura que eu viria a chamar de O vôzinho-estúpido. Escondemos os corpos e fugimos antes que alguém nos visse.

Na semana seguinte, aceitei fazer parte de uma missão. Segundo Govannon, existia um local, uma casa de festas no Corredor da Vitória, onde estava infestada por seres semelhantes aos que matamos. Eles guardavam algum objeto do interesse de Govannon. Foi então que, pela primeira vez, me senti usada. Govannon queria que matássemos por ele. Mesmo assim, a missão me interessava.
Queria saber, a qualquer custo, quem era Govannon e qual o verdadeiro interesse dele em mim. Os meios que eu estava utilizando até o momento não estavam dando certo. Meus contatos não sabiam informar muita coisa. O que me restava era segui-lo e tentar arrancar informações realmente úteis.

O que eu não sabia é que estava caminhando para a morte.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fics Lupinas 3 - Sorte nipônica...


Baixinho, sempre bem alinhado, uma língua ferina, um olhar sério e uma sorte estranha... Esse respeitoso oriental nos acompanha em nossas batalhas. Mesmo após toda aquela tensão, algo nele ainda me incomoda, certos fatos em nossos encontros me fizeram questionar o que estaria por trás daquela face pouco expressiva e eloqüência empresarial. A começar sua presença na fatídica feira de ocultismo, ao vê-lo diante de tal estranha situação notei que ele era diferente. Não fora capaz de ver o que meus olhos de lobo me mostravam mas ele não havia se dissipado como o restante, era real.
Sua ajuda em minha fuga me fez perceber o quão útil ele poderia ser, mas um ponto daquele dia ainda me intriga... quando ele estava prestes a ser atacado pelo meu monstro-irmão, um simples vira-latas surgiu do nada e foi o suficiente para acobertar nossa escapada. Como um cão vindo do nada foi capaz de enfrentar um lobisomem em sua forma mais monstruosa ainda é um mistério. Animal louco!
Em nossa estada naquele barzinho na barra, percebi uma pessoa amigável, mas ainda havia uma certa distância, parecia proteger algum segredo. Como se guardasse algo perigoso e sua vida estivesse em risco, me identifiquei com isso. Afinal todos temos nossos pequenos segredos horríveis. Nisso me senti seguro em dizer-lhe a verdade (não toda, claro!) mas o suficiente para ele entender que o monstro não foi geração espontânea. Foi uma jogada um pouco arriscada, mas valeu a pena.
Ao revê-lo no encontro de nosso misterioso anfitrião (Govanon) tive certeza de que havia algo, ele poderia se tornar um aliado útil (ao menos por enquanto). Sua expressão mudara discretamente quando eu abri meu olhos para os dois mundos, ele pareceu sentir que eu o fazia, não só ele como a ruiva Sophie. Essa parecia ser a ligação entre eles... como se farejassem a magia do ar. Fato suspeito, contudo apenas ela demonstrou ter percebido, ao menos para mim ela comentou.
Raimundo se manteve fora de suspeitas até outras mudanças de expressão durante o incêndio, ela também sentira sua natureza sobrenatural. Após sairmos do prédio, revelei que o inimigo que causara o fogo agora estava em nosso encalço e foi nessa hora que vi seu real potencial. Ele lutou junto conosco mas à sua maneira, certas horas parecia concentra-se noutras um sorriso maquiavélico surgia em seus lábios quando algum golpe de sorte se apresentava, vi armas falharem e adversários difíceis errarem alvos fáceis, era como uma benção. Até o providencial desmoronamento que ocultou os corpos sem vida que largamos após a batalha.
Minha concepção dessa intrigante pessoa se completou com um perfil de um praticante das artes antigas, mas com um orgulhoso toque de modernidade e sorte. Acho que este oriental trouxe toda a sorte que podia consigo. Ainda não sei se devo confiar nele, mas por hora somos aliados, afinal sua sorte é bastante útil e suas habilidade na batalha também tem algum peso. Todavia ficarei de olhos bem abertos....

domingo, 13 de julho de 2008

Bancarrota Musical...


Há músicas para se ouvir, para dançar, para pensar, para criar clima, para relaxar... e há o que sequer pode ser chamado de música... Já existiram grandes gênios, que regendo uma orquestra ou sobre um pianos podiam arrancar lágrimas, também aqueles que inspiraram gerações a lutar contra o sistema, ou ainda os que tiravam o controle dos corpos dos ouvintes e os faziam dançar por horas e horas...
Músicas imortais, ouvidas ao redor dos séculos... músicas atemporais que décadas depois até mesmo crianças conhecem as letras... e 'músicas descartáveis', que dentro de uma semana perdem a importância. Alguns tipos de música refletem a sociedade, a exemplo o MPB que pedia pelo fim da ditadura em várias letras ou a atual música eletrônica, cuja batida ritmada é fruto de chips e computadores. Todavia certos estilo parecem de certa forma retrógrados e excessivamente vulgares... não ultrapassando a marca de mera sobreposição de letras chulas sobre uma mesma batida sem criatividade.
Como uma da sete artes, a música é um reflexo da sociedade e de seus grupos sociais constituintes, isso forma um conjunto realmente vasto de estilos e variações. Há alguns que evoluem e se abrem em novas espécies, outros se mantém devido a um público fiel que o acompanha e novos ouvintes que se encantam, ainda há os que desaparecem (mas não totalmente) sendo ressucitados em ocasiões especiais e celebrações.
Uma boa questão a se levantar: "Que tipo de sociedade certo estilos musicais refletem?", é certa a pluralidade social, mas o que cria essa vulgaridade tão sem criatividade? E porque faz tanto sucesso? O nível de estresse se elevou a ponto do prazer musical excluir completamente a mente e se tornar um ritual puramente físico? Ou a população vem se distanciando dos meios racionais e está se moldando num massa estúpida e desprovida de raciocínio ou mente própria?
Tudo bem que a valsa já foi considerada vulgar pela proximidade dos corpos dos dançarinos e pelo movimento sensual (bem na época era bastante!), mas um estilo onde se vê a cópula pública e grupal? Para onde foi o prazer sensual da dança e toda o ritual de corte? No final tudo se tornou mero instrumento de sexo desenfreado e sem elos, apenas uma ferramenta de prazer sem conseqüência ou sentimento? A arte proporciona o prazer por ela mesma, mas pode-se considerar arte algo que se resume a prazer por si só numa insanidade ritmada?

Isso é a evolução?
Ou a involução?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Vergonha bienal...


O regime quatrienal de eleição na democracia brasileira é um exemplo de velocidade de contagem e de presença de eleitores (talvez pelo fato de ser obrigatório). Contudo também é um exemplo do quanto a política brasileira é levada a sério. Candidatos que entram em rede nacional sem sequer terem projetos a apresentar ou aparecem simplesmente fazendo palhaçadas e imbecilidades, é um absurdo o horário político, que adentra as milhões de casa brasileiras apenas para mostrar patetas metidos a artistas de circo que se acham no direito de entrar no quadro político brasileiro.
O atual estado do país não é somente é reflexo histórico de concentração de riquezas e poder, mas também fruto de uma população ignorante que não se importa com o próprio futuro. É o plano ideal de dominação, uma população burra que pode ser facilmente guiada e eleger outro candidato vazio que manterá o país à venda e as condições absurdas a que o povo é submetido. Não é à toa que a nação vive dessa forma, o máximo de expressão política do brasileiro é reclamar do estado atual. Esse mesmo brasileiro estará catando um 'santinho' do chão para votar no idiota mais aleatório que encontrar ou no primo do vizinho da cunhada que é candidato...
Que tipo de futuro este país pode ter com esta bagunça e falta de respeito que é o cenário político? É incrível que as pessoas não sintam vergonha pelo que fazem por sua nação, o ato patriótico do brasileiro é torcer e reclama das seleções esportivas, em especial a de futebol. Como diria uma antiga charge da ditadura: "... em um povo heróico o brado retumbante: 'goooooooool'..."
O brasileiro parece não dar nenhum importância a própria casa, sim a nação é a casa de todo o povo, mas o pequenos quintais simplesmente tem maior importância... Aparentemente da porta da rua para fora já é problema dos outros. Para quê ligar para a política, já que todos são ladrões de qualquer jeito? ABSURDO!
Como exigir uma postura adequada e honesta do representante de um povo desonesto e ignorante? E o pior que não é uma frase tão forte ou ridícula, o brasileiro é desonesto sim! Não é sensato nem correto afirmar que se trata de uma nação de bandidos, mas que é uma população de 'espertinhos', isso é! Desrespeita filas ou não devolver troco a mais é normal, fingir deficiência para conseguir aposentadoria é mais difícil, todavia também possível, subornar policiais para não levar multa... comum. Se nas pequenas leis não há respeito como se pode esperar que haja nas grandes?
O povo brasileiro tem a representatividade política que merece, afinal não se colocaria uma pessoa tão diferente de a realidade no poder... a discrepância seria absurda demais para ser permitida ou escondida...

A política brasileira é espelho do povo brasileiro!

Fics Lupinas 2 - Mistério ruivo

A primeira vista na reunião da sala vip me pareceu apenas mais uma riquinha mimada, se fazendo de séria com seu traje formal de grife. Seu ar meio esnobe e fútil, já a havia descartado do hall de possíveis sobreviventes naquele estranho grupo reunido. Seu sorriso parecia vazio, lhe dava um toque de mistério, embora suas palavras parecesse uma mistura impossível de infantilidade e seriedade. Me foi realmente difícil de entender.
No decorrer da conversa pude perceber certa perspicácia em suas ações, com a desenvoltura de um enxadrista e uma névoa suave de polidez e doçura. Uma pessoa perigosa! Contudo o que me fez voltar-lhe a atenção não foram seus modos ou sua aparência, mas um sussurro. Em meio a confusão daquele estranho incêndio na boate, ela pôde perceber minha habilidade. Eu fora tão discreto e de expressão imutável, mas ela pareceu sentir, como eu sinto os cheiros. E me fez a pergunta sussurrada: "- O que você está vendo?"
Apenas isto já mudou minha opinião sobre ela, ela percebeu que minha visão estava além do mundo material e eu via a real causa daquele inferno em chamas. Os cinco vultos! Os mesmos da estranha feira da semana passada. Estavam ali em nosso encalço novamente. Eram nossa maior ameaça.
Percebendo que a fútil ruiva poderia ser útil lhe passei minha preciosa informação, nossos inimigos agora tinham mais uma preocupação. O que essa misteriosa e bela moça guardava dentre seu segredos e talentos? Que cartas estariam dentro de sua mangas de tecido caro, que poder se esconderia por trás de seus olhos de avelã?
Seus reflexos de gatos ao descer os quase 6 metros de altura de nossa via de escape daquelas chamas me surpreenderam. A musa ruiva realmente tinha seus truques, valeu a informação.
Outro ponto a me chamar atenção foi sua bravura ou burrice de se aproximar dos inimigos armados naquele beco onde estávamos (das cinco figuras, três se materializaram e vieram em nosso confronto), seu olhar concentrado, parecia querer entrar na mente deles, mas os tiros seguintes revelaram seu fracasso.
Sua face entesada e olhos vidrados nos inimigos em plena batalha me chamavam atenção, ela sequer mostrara temor por sua vida, nem mesmo quando as circunstâncias me forçaram a assumir uma forma bestial. Ela não fugiu ou se assustou com o monstro de que tornei. Era uma pessoa que me atiçou a curiosidade.
Certos fatos estranhos em nossa sangrenta luta me fizeram crer que a bela moça tinha poderes invisíveis e sutis. Nossos inimigos em certos momentos pareciam confusos e desnorteados, um deles que resistiu a minha mordida feroz chegou a perder a função do braço direito sem nenhuma razão... Creio eu que os olhos avelã tinha a resposta....

Sua sobrevivência aquela batalha insana me fez precavido e cuidadoso, avaliar certas pessoas pela imagem naquele nosso estranho grupo seria um ato muito tolo... Principalmente com a princesinha misteriosa...




sexta-feira, 4 de julho de 2008

Fics Lupinas - Areias Vermelhas


"Que calor! Tão quente, essa luz forte sobre meu rosto, abro os olhos... a minha volta apenas areia branca e vermelha. Aconteceu de novo! Estou nu, sujo e cercado de carne despedaçada... O que eu fiz meu deus? Que tipo de monstro eu sou? que destino cruel essas pessoas encontram sob minha garras?
Me visto com o menos sujo dos trapos a minha volta, enterro os resto e após uma pequena prece ando até a praia. O caminho é conhecido, não foi o primeiro dos meus vazios, acontecem já há alguns anos, meus pés já me levam sozinhos até o mar. O calor escaldante é vencido pelo frescor das águas, o suor e o sangue seco são lavados do meu corpo... é como um ritual de auto-purificação. A praia está deserta, mesmo sob o limpo céu azul, é como meu lugar secreto, poucos a conhecem e menos ainda se atrevem a vir aqui.
A volta para casa é a parte mais difícil, o avançado da hora mantém as ruas movimentadas, por sorte moro perto do mar, nunca consegui me afastar dele. Após quase uma hora sob o queimor do sol em minha pele tão já bronzeada - fruto desses 'passeios não-planejados'- arde um pouco, mas chego próximo a meu porto seguro, minha casa. Minha janela aberta, tão amigável, me deixa entrar discretamente.
Após um banho revigorante, me deito na cama e minha consciência pesa; quantas famílias choraram e sofrem pelo meu vício obscuro? quantos órfãos eu fiz e quantas viúvas? Caio no sono, fui acordado pelo barulho estridente do despertador, eram 19 horas. Meu turno no hospital começa em uma hora...
Eu entendo a ironia, acordar cercado de morte e passar meu tempo cuidando da vida, mas ainda sim, sinto como se fosse uma forma de compensação, talvez minha redenção. Tentar amenizar o que faço em minha inconsciência, me fazer um pouco mais humano. Tornar a doença algo mais ameno e afastar a morte, esses são os trabalhos de parte de mim, a outra parte se faz no exato oposto.
O turno é pesado, me impressiona um pouco a ferocidade das pessoas, a quantidade de violência. Me sinto como se não fosse o único monstro, há tantos por aí que talvez façam até algo pior. Minha mosntruosidade ao menos é escondida por minha inconsciência e acho que por isso seja algo mais instintivo que cruel.
O turno acaba, estou exausto! Meu corpo dolorido pede descanço, o ar da madrugada fria me refresca, é relaxante... O céu está tão limpo, a lua brilha linda céu, isso vale uma caminhada... Após uma rápida troca de roupas em casa, um passeio na praia parece tão convidativo, sentindo a brisa fria que arrepia minha pele.
Andar sem rumo, observando o reflexo da lua n'água, o brilho branco é cada vez maior, mais atrativo, me sinto cada vez mais relaxado, é como um tonificante... que sensação de liberdade maravilhosa..."