Eu, desde o início, tinha desconfiado daquela casaca mal alinhada.
Primeiro, os sonhos. Uma perseguição atrás da outra, sensação da morte batendo à minha porta. Acordava com a boca seca, precisando de algo que nem eu mesma sabia o que. Abandono, solidão, medo.
Logo em seguida, o convite para a Feira de Ocultismo. O cartaz surgiu do nada, onde sei que é proibido colar cartazes. Parece que foi só eu aparecer e pronto, o cartaz na minha frente, me seduzindo. Ainda bem, que por obra do destino, acabei não indo. Certamente minha raiva por Govannon aumentaria.
Foi então que ele se fez perceber. Convidou a minha pessoa para uma reunião no Bahia Café Hall. O único contato breve e distante que tive com ele antes da reunião foi um telefonema. Ao telefone não ouvi nada que me interessasse realmente. Teria que pagar para ver.
Logo quando eu cheguei na boate percebi que não era uma reunião a sós com Govannon. Estavam presentes alguns outros convidados. Foi então que vim a conhecer O japonês-arrogante, O retirante-aventureiro, A tarada-da-capa-preta, O introspectivo-interessante e Govannon.
Meu erro naquela noite foi não prestar atenção para o que realmente interessava: GOVANNON. Estava mais interessada nos convidados. E foi nesse deslize que eu quase morri. Queimada. O prédio ardia em chamas, estávamos todos presos no segundo andar. Não sabendo exatamente o que fazer, percebi o quanto de poder estava espalhado naquela Sala Vip. Todos os presentes exalavam poder. Percebi então que poderia me guiar pelo introspectivo-interessante. Ele olhava fixadamente para alguma coisa. Perguntei o que era. Rapidamente veio a resposta: cinco vultos pareciam provocar aquele incêndio. Mas não tive tempo para agir. As luzes iriam se apagar, iríamos morrer queimados se não tomasse uma providência. Foi então que Govannon explodiu umas das paredes que dava para a rua dos fundos. Quando todos conseguiram escalar os dois andares, os bombeiros estavam chegando ao local do incêndio.
Mas ainda havia perigo, estávamos sendo perseguidos por três dos cinco vultos. Corri para longe dos escombros na tentativa de conseguir enxergá-los. Após ver os “semi-vivos” tentei intimidá-los, sem sucesso. Tomei um tiro de raspão. A partir daquele instante nenhuma ação faria sentido para aqueles que ainda dormem... Conseguimos derrotá-los depois de algum tempo árduo, com a ajuda de um homem meio estranho de cabelos brancos, criatura que eu viria a chamar de O vôzinho-estúpido. Escondemos os corpos e fugimos antes que alguém nos visse.
Na semana seguinte, aceitei fazer parte de uma missão. Segundo Govannon, existia um local, uma casa de festas no Corredor da Vitória, onde estava infestada por seres semelhantes aos que matamos. Eles guardavam algum objeto do interesse de Govannon. Foi então que, pela primeira vez, me senti usada. Govannon queria que matássemos por ele. Mesmo assim, a missão me interessava.
Queria saber, a qualquer custo, quem era Govannon e qual o verdadeiro interesse dele


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