sexta-feira, 4 de julho de 2008

Fics Lupinas - Areias Vermelhas


"Que calor! Tão quente, essa luz forte sobre meu rosto, abro os olhos... a minha volta apenas areia branca e vermelha. Aconteceu de novo! Estou nu, sujo e cercado de carne despedaçada... O que eu fiz meu deus? Que tipo de monstro eu sou? que destino cruel essas pessoas encontram sob minha garras?
Me visto com o menos sujo dos trapos a minha volta, enterro os resto e após uma pequena prece ando até a praia. O caminho é conhecido, não foi o primeiro dos meus vazios, acontecem já há alguns anos, meus pés já me levam sozinhos até o mar. O calor escaldante é vencido pelo frescor das águas, o suor e o sangue seco são lavados do meu corpo... é como um ritual de auto-purificação. A praia está deserta, mesmo sob o limpo céu azul, é como meu lugar secreto, poucos a conhecem e menos ainda se atrevem a vir aqui.
A volta para casa é a parte mais difícil, o avançado da hora mantém as ruas movimentadas, por sorte moro perto do mar, nunca consegui me afastar dele. Após quase uma hora sob o queimor do sol em minha pele tão já bronzeada - fruto desses 'passeios não-planejados'- arde um pouco, mas chego próximo a meu porto seguro, minha casa. Minha janela aberta, tão amigável, me deixa entrar discretamente.
Após um banho revigorante, me deito na cama e minha consciência pesa; quantas famílias choraram e sofrem pelo meu vício obscuro? quantos órfãos eu fiz e quantas viúvas? Caio no sono, fui acordado pelo barulho estridente do despertador, eram 19 horas. Meu turno no hospital começa em uma hora...
Eu entendo a ironia, acordar cercado de morte e passar meu tempo cuidando da vida, mas ainda sim, sinto como se fosse uma forma de compensação, talvez minha redenção. Tentar amenizar o que faço em minha inconsciência, me fazer um pouco mais humano. Tornar a doença algo mais ameno e afastar a morte, esses são os trabalhos de parte de mim, a outra parte se faz no exato oposto.
O turno é pesado, me impressiona um pouco a ferocidade das pessoas, a quantidade de violência. Me sinto como se não fosse o único monstro, há tantos por aí que talvez façam até algo pior. Minha mosntruosidade ao menos é escondida por minha inconsciência e acho que por isso seja algo mais instintivo que cruel.
O turno acaba, estou exausto! Meu corpo dolorido pede descanço, o ar da madrugada fria me refresca, é relaxante... O céu está tão limpo, a lua brilha linda céu, isso vale uma caminhada... Após uma rápida troca de roupas em casa, um passeio na praia parece tão convidativo, sentindo a brisa fria que arrepia minha pele.
Andar sem rumo, observando o reflexo da lua n'água, o brilho branco é cada vez maior, mais atrativo, me sinto cada vez mais relaxado, é como um tonificante... que sensação de liberdade maravilhosa..."

Um comentário:

Léo Ferrari disse...

Achei o texto bacana e a sensação
da madrugada após o cansaço é dessa
mesma forma que vc descreveu.

Tá bem ambientado tb com o jogo do
RPG que a gente joga, parabéns!

Mto bala a reflexão sobre a fúria
alheia com o ato inconseqüênte do
lobo!

Keep True.