segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uivos do Concreto - CAPÍTULO 4 – PRAZER E CULPA


O final de semana em casa passara rápido, disfarçávamos na frente dos pais de Luca, mas quando ficávamos a sós aproveitávamos cada segundo juntos. À noite no domingo um carro veio me buscar para voltar à “Escola”, despedi-me de todos com abraços calorosos e cochichei no ouvido de Luca: “- Anseio pelo nosso próximo encontro...”, entrei no carro e parti.
Quando voltei, fui direto ao dormitório guardar minhas coisas, minutos após fui chamado ao
escritório do Coronel (meu tio) Leon. Entrei, ele fez sinal para eu me sentar, então observando a paisagem através da janela deu-me a notícia: “- Tenho uma nova missão para você. Será mais difícil que a primeira, mas com o treinamento certo você terá êxito”. Eu estava sem fala, aquilo me desceu gelado ao estômago, mais uma vez, será que eu mataria de novo? Após entregar-me os papéis da nova missão, o coronel me dispensou. Os li no quarto, parecia um desafio quase impossível, eu teria de invadir uma embaixada e roubar documentos. Bom, eu e um novo parceiro.
Os dias foram passando e o foco dos treinos alterado para a nova missão; guerrilha urbana, invasão de edifícios, artes marciais silenciosas, fora o estudo contínuo das plantas do local. Embora encontrasse meus colegas sempre na base sentia falta deles, do espírito de equipe, agora eu tinha um trio de instrutores só para mim e eram bastante severos e exigentes. Já fazia uma semana desde que recebi a missão, já era tarde da noite e eu me dirigia ao vestiário para um banho, estava fedendo a suor e muito cansado... Debaixo d'água parecia que tudo estava melhor, era relaxante, fechei o chuveiro e comecei a me ensaboar fazendo bastante espuma em todo meu pêlo, imagens do Luca vieram a minha mente e comecei a me tocar. De repente escuto uma voz: “- Então é assim que os ocidentais treinam para as missões difíceis?”, me assustei e virei rapidamente, foi quando o vi pela primeira vez: alto, atlético, de pêlo cor de chumbo com listras negras brilhantes, um brinco de aço na base da orelha felina, longos bigodes, nu como eu e também excitado. Outra vez meu pêlo escondeu o quanto ruborizei, ele me olhava com malícia e eu estava imóvel, completamente envergonhado de ser pego em tal situação: coberto de espuma, excitado em plena ducha comum. Ele se aproximou de mim, abriu meu chuveiro, me empurrou pra debaixo d'água num rápido movimento e me enroscou em um abraço apertado e um beijo quente daquela língua áspera que me deixou paralisado. Em seguida ajoelhou-se com a face bem próxima de meu membro rijo, olhou para mim e disse: “- Belo fuzil soldado! Está carregado?” E passou a áspera língua felina de baixo para cima, me fazendo arrepiar cada pêlo do corpo. No momento seguinte eu afagava sua cabeça enquanto ele me sugava numa volúpia que me arrancava uivos (que eu tentava abafar a todo custo), meus olhos não acreditavam no que viam, era o lycan felino mais lindo que havia visto, um corpo muito bem trabalhado, olhos verde-dourado magníficos um moicano baixo em chumbo com listras negras em sua cabeça e ele parecei querer me engolir inteiro. Parecia um profissional, foi descendo a língua até meus testículos, os lambeu maravilhosamente, mas não parou aí, aos poucos me foi abrindo as pernas e tocou a língua num ponto que me descontrolou no mesmo segundo e cobri sua face, ele se levantou, foi ao chuveiro ao lado, tomou banho calmamente, se enxugou e enrolado numa toalha ofereceu sua mão a mim e se apresentou: “- Ryuh Sakae, agente especialista em eletrônica. Serei seu parceiro nessa missão, Winnigham!”, apertei sua mão meio desnorteado e ele saiu para se vestir, me deixando estático embaixo do chuveiro. Foi difícil terminar banho e me vestir, para ser sincero nem sei como cheguei no quarto de tão zonzo que saí do vestiário... Ao chegar no meu quarto percebo um vulto no beliche que antes eu usava sozinho e duas malas grandes junto ao armário, era verdade, ele era meu novo parceiro...
Dormia profundamente, calmo, parecia um anjo felino. De repente me percebo olhando seu corpo seminu e a face de Luca vem a minha mente, vozes ecoavam lá dentro: “O que eu tinha feito? Havia traído o único que me amou! Que tipo de desgraçado eu me tornei?”, a culpa doeu fundo no peito e deitei em minha cama. Lágrimas já rolavam em minha face quando eu consegui pegar no sono.
Acordei cedo com o despertador, a cama de cima estava vazia, a malas não estavam mais lá,
“Seria tudo um sonho?”, contudo no instante que olhei a escrivaninha havia um laptop moderno coberto de adesivos e meu nome estava na tela, levantei e apertei uma tecla qualquer, apareceu uma mensagem e um arquivo com ícone de gato: “ Bom dia meu caro colega! Espero que tenha dormido bem, ainda mais depois da ótima brincadeira no chuveiro... O arquivo em anexo tem detalhes de nossa missão e minha ficha, para você saber com quem está lidando. Espero que continuemos nos dando bem! =^.^=” - Era verdade! Ainda doía a culpa, mas resolvi enfiar a cabeça no trabalho. Após alguns minutos havia lido tudo, com meu novo parceiro a missão seria mais possível, era um profissional, embora com a mesma idade que eu! Havia sido treinado numa base em algum lugar no Japão, que o havia emprestado a nós por motivos políticos em comum nessa missão. Eu teria um parceiro bem interessante para este trabalho...
Foram dias cansativos que vieram depois, os treinos foram se tornando mais complexos, Ryuh parecia ser duas pessoas, eram completamente profissional durante os treinos e me envergonhava em todos os outros momentos, me falava coisas no ouvido, me olhava lascivamente, eu tentava evitá-lo, lembrava de Luca, mas Ryuh agora bagunçava minha cabeça. Numa noite, após um dia de planejamento e montagem de estratégias, eu tentava relaxar num banho tranqüilo e ele apareceu. Veio ao chuveiro ao lado, o restante estava vazio devido à hora avançada, éramos sós nós dois; embaixo da ducha ele me devorava com os olhos, eu me virei para esconder minha excitação e como se percebesse me abraçou por trás e disse no meu ouvido: “- Diz aí Lobinho, quer brincar com o gatinho aqui mais uma vez?”, eu não consegui responder, ofegava, até que ele olhou para baixo e percebeu meu estado, me apertou mais forte e disse: “- Hum... pelo visto o lobinho está doidinho por este belo felino aqui...”.
Ele me pressionou contra a parede, de costas para ele e começou a lamber minha nuca, costas e foi descendo, eu somente ofegava, um mar de imagens se passava em minha mente, eu já não raciocinava... Ryuh levantou minha cauda e começou a brincar com língua, eu gemi baixo, mas ele ouviu e fez mais para me arrancar mais gemidos, eu estava entregue! Subitamente, ele me colocou deitado de costas no chão, foi me lambendo o peito, barriga, virilha, até que me abocanhou e sugou como só ele sabia fazer... Eu gemia, já uivava de olhos fechados, até que uivei com uma lágrima correndo de um dos olhos e soou abafado: “- Luca!”, Ryuh parou, me puxou para perto dele e perguntou: “- Quem é Luca?” E ao que lhe respondi: “- Meu primeiro e único amor!”, o olhar de Ryuh mudou para algo frio e pesado e ele me disse: “- Se o lobinho tem dono, porque saiu pra brincar?”, levantou e saiu, me deixando sentado no chão sozinho com minha culpa.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cores que contam histórias...



Vermelho: E ele levantou, corria por sua vida, a perna direita queimava, um gosto amargo na boa, o medo queimando suas veias. Correu engolindo a dor, guardando cada grito para um momento mais oportuno... havia uma ruína velha por perto, se tornou seu esconderijo, sua fortaleza. Respirava arfante, não havia muito em volta, apenas mato e lixo, o fedor de urina velha fazia o nariz doer.
Silêncio, só conseguia ouvir o coração em tambor, forte, acelerado, como se batesse dentro da cabeça, latejante. Abafava sua respiração, apurava os ouvidos tanto quanto podia, fingia não sentir o calor escorrer por sua perna ferida. Lembrava do estrondo, do medo, da dor em fogo; até que sua lembranças foram interrompidas. Haviam chegado, o que pareceram horas eram apenas minutos breves... a ansiedade amargava cada suspiro, era doloroso até pensar... se ele o pudesse fazer.
O mundo rodou, a realidade distorceu, o corpo se contorceu tentando sobreviver, cada sentido foi enfraquecendo, até que tudo tomou o tom vermelho...

Verde: Acordava lentamente, sentindo cada músculo relaxado, o mundo parecia até mais leve, fluido... se levantou, olhou em volta, tudo parecia tranqüilo como sempre. Até o viu, jogado no chão, tremendo, ferido, sangrando. Levantou rápido, tonto de susto e da velocidade, foi observar o jovem caído, respirando fraco, gemente, buscou acordá-lo, o sacudiu, tudo inútil... correu por ajuda, buscou o telefone mais próximo, a atendente pareceu não crer de início, mas uma ambulância foi enviada. Correu de volta ao jovem, viu a perna sangrenta, suja, tirou sua faixa verde da cabeça e amarrou no membro para parar o sangramento. Tinha visto como fazer num filme, anos atrás.
O socorro veio, foram rápido, o pegaram e levaram para longe, numa maca... a última coisa que viu foi sua faixa verde ser tomada por vermelho...


Branco: Acordou por um momento, luz forte no rosto, vultos brancos o cercavam, movimentos rápidos, palavras incompreensíveis, não podia se mover, a perna ainda latejava, até que desistiu e fechou os olhos outra vez. Algum tempo depois acordou novamente, a cabeça latejava e a costas doíam, não sentia mais a perna doer, haviam lhe ajudado? Estava ainda tonto e sonolento, olhou um pouco aqueles vultos branco que circulavam e dormiu outra vez cercado por aqueles vultos sem cor.


Laranja: Às vezes sentia pena deles, noutras indiferenças e em algumas até um pouco de raiva, cada um tinha sua história, umas sofridas outras de imprudência. Sabia um pouco de cada, mesmo os que passavam pouco tempo sob seu cuidados, como era cuidadosa e detalhista. Sabia bem os horários de cada um de memória, os cumpria com rigor e os fazia tomar cada comprimido necessário para seu tratamento. Sempre que podia, ouvia um pouco mais de suas histórias, se envolvia com elas, lhe motivavam, lhe comoviam, lhe ensinavam. Dessa vez pegou uma gota de pena, era a vez daquele jovem, que sofreria em breve uma dose a mais do que provavelmente já carregava. Levou-lhe um pequeno copo d'água e seus comprimidos laranjas... mas sabia que sua dor seria outra.


Lilás: Finalmente abriu os olhos sem ter neblina à sua frente ou tontura, observou em volta, estava num hospital, acamado entre tantos outros. Já havia esquecido da perna, uma enfermeira veio lhe dar pílulas laranjas, tomou-as sem reclamar. Uma senhora veio em sua direção, usava um jaleco alvo, um instrumento de borracha sobre os ombros, se aproximou, se apresentou, era sua médica, estava cuidando de seu caso. Sequer entendia metade do que ela lhe falava, observava perdido uma flor lilás pendurada em seu colar, era de tecido ou palha, fina como uma rosa, bem trabalhada... se perdeu por dentre suas pétalas, até que finalmente fora acordado por palavras que doeram fundo dentro de si: "Não conseguimos salvar a sua perna..."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Uivos do Concreto - CAPÍTULO 3 – REENCONTRO


As horas passavam como séculos, sequer prestava atenção na bela paisagem da janela, só via os olhos castanhos carinhosos de Luca em minha mente. Cheguei a sua casa e fui recebido como um filho querido, após um almoço maravilhoso que matou a saudade de comida de mãe, o Luca e eu fomos ao quarto conversar.
Ainda que tivéssemos nos comunicado, nunca pude dizer-lhe o que eu realmente fazia, era sigiloso e o sistema da base detectaria, então basicamente eu só estava numa escola militar. Mas entre nós sequer houve qualquer palavra, nossos olhos se encontraram (como da primeira vez), eu via meus olhos azuis no reflexo dos castanhos dele, no momento seguinte éramos um só novamente. Nossas bocas se uniram em inacreditável sintonia, eu sentia sua pele lisa esfregando no meu pêlo, seu cheiro extasiava as minhas narinas, o sabor enlouquecia minha boca, o tempo simplesmente não existia para nós. Ele estava deitado em sua cama e eu explorava seu corpo, o aroma inebriante, o sabor a cada lambida, seus olhos estava fechados e ele respirava ofegante. Retirei suas roupas e ele as minhas, foi quando o vi nu pela primeira vez, era o corpo de um homem, bem talhado e modelado, apenas poucas áreas com pêlos castanhos densos, era um contraste com o meu próprio corpo. Num movimento rápido ele inverteu nossas posições e passou a explorar-me o corpo, meu cheiro o enlouquecia, ele lambeu meus mamilos, passou o rosto em meu peito, barriga e me tocou o membro. Eu estava rijo, escorria, ele provou o aroma e tocou a língua devagar. Começou a lamber como a um doce maravilhoso, tive extrema dificuldade em me controlar para não gemer, sua boca já me envolvia, eu sequer conseguia abrir meu olhos, apenas curtia as sensações fantásticas de seu carinho em mim. Pus um travesseiro contra a boca e uivei abafado que atingi o êxtase, ele sorveu tudo e partilhou comigo do meu próprio sabor. Arfamos juntos e nos abraçamos nus, deitados em sua cama. Seus pais bateram a porta dizendo que iriam sair ao mercado de hidropônicos, nos despedimos deles sem nos levantar, através da porta trancada. Tínhamos o resto da tarde para nós.
Passamos alguns minutos olho no olho, abraçados, sentido o calor um do outro, aproveitando aquele momento, foi quando sem meu controle, eu meio que por instinto lhe disse: “- Eu te amo...”. Os olhos dele brilharam, um sorriso lindo brotou em sua boca, ele me abraçou forte e disse em meu ouvido: “- Há muito tempo eu esperava ouvir isso. Eu te amo também, desde a primeira vez que te vi”.Nesse momento algo estremeceu dentro de mim, eu já não me sentia mais sozinho, havia alguém que me tinha no coração e esse alguém me fazia feliz só por existir.
Mas novamente o aroma tomou minhas narinas, quando vi em seus olhos o desejo, ele me queria e eu a ele. Comecei a explorar-lhe o corpo, cheirava a cada centímetro, a pele lisa e quente exalava aquele perfume extasiante, deslizei minha língua sobre seu peito e abdome até que alcancei sua virilha, o cheiro estava mais forte, meu faro me levou mais abaixo, ergui as pernas de Luca e pude finalmente ver a fonte do aroma. Era rosado, liso, lindo, provei o gosto, levemente salgado, mas com algo diferente, o sabor dele, minha língua passeava livre e
selvagem, um som me chamou a atenção, meu Luca estava arfante, gemia gostoso, com aqueles olhinhos fechados e mordendo levemente o lábio inferior. Ele gemia no mesmo ritmo em que eu o explorava, gemidos abafados me pediam mais e mais, me incendiava o prazer que ele sentia comigo.
Em meio a todo aquele prazer algo estranho pulsou novamente em mim, em foi crescendo, meus instintos foram me tomando, eu já não estava com meu amor, era minha presa! Puxei-o num rápido movimento olhei dentro de seus olhos, que agora demonstravam medo e o pus de quatro a minha frente. Ele murmurava algo que eu não conseguia escutar, o cheiro era mais forte, meu membro estava rígido e sedento, eu queria possuir aquele a minha frente, seria somente meu, minha presa, adentrei-lhe lentamente. Eu o fazia desfrutar cada sentimento, ele ofegava, suava, gemia baixo, fui invadindo aquele corpo devagar, bem devagar até sermos um único corpo.
Então perguntei a ele em seu ouvido: “- A quem você pertence?”, ele respondeu meio gaguejante e trêmulo: “- A você! Sou apenas seu!”. Foi então que comecei, rítmico, sensual, como uma dança, o prazer era fantástico e me inebriava, ouvir os gemidos de Luca me alimentava, parecia que o tempo havia parado e o universo não existia. Segurei firme os quadris de dele, aumentei o ritmo, mais forte e mais rápido, se ouvia o impacto do meu corpo no dele, Luca gemia mais alto, parecia enlouquecido.
Não sei quanto tempo ficamos nesse transe maravilhoso, mas de repente ele começou a gemer estranho mais alto e eu senti o pulsar dele em mim, tinha atingido o êxtase! Me pressionava, não resisti e uivei, alcançamos juntos o prazer, o nirvana, a energia da existência corria em nossas veias e nos brindava de sensações fantásticas, inundei o Luca e caímos juntos, extasiados, na cama e pegamos no sono abraçados.
Acordei relaxado, feliz, senti algo acariciando os pêlos alvo-prateado de meu peito, era o Luca, ele deitado a meu lado e me fazendo carinho. “- Oi!”, eu lhe disse e “Bem vindo de volta!”, ele me respondeu enquanto recostava a cabeça em meu peito e brincava com os pêlos de minha barriga. Ao olhar à janela vi que já era noite, eu havia dormido por horas. Afaguei seus cabelos castanhos encaracolados, olhava para seu corpo, tão lindo, macio, pele lisa levemente amorenada pelo sol, era magro, mas bem contornado, era um homem bem formado com a pureza de um menino. Contrastava comigo, eu era mais alto e mais largo, músculos definidos no duro programa de treinamento, coberto de pêlos azul-claros, mas do queixo a face interna das coxas era uma faixa branco-prateada, era o corpo de um lobo.
O som dos pais de Luca à porta quebrou nossos pensamentos e nos convidavam a jantar, Luca levantou-se sentou sobre mim, puxou e me deu um beijo apaixonado e delicioso, me olhou por uns segundos e foi tomar banho. Sentei-me na beira da cama enquanto minha mente relembrava a maravilhosa tarde que tivemos, as sensações, os carinhos, o prazer, até se interrompido pela saída de Luca, cheiroso e enrolado na toalha. Levantei e fui tomar meu banho, enquanto ele me admirava andando pelo quarto.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

A saúde precisa de educação...


A situação atual vai além de simplesmente ignorância ou informações equivocadas, o povo tem praticamente um misticismo sobre a saúde, toda uma mitologia a respeito de tratamentos, exames e a própria função do médico e das unidades de saúde. É um conjunto de enganos, falta de informações e fé quase cega que tem tornado bastante complicado o diagnóstico e o tratamento de muitos ao redor não só do Brasil, mas de todo o mundo.
Pequenas receitas medicina caseira são um exemplo, não que a medicina natural seja um grande erro, afinal muitas substâncias usadas em medicamentos são fruto de ervas e outras fontes naturais. Um exemplo de erro é o tratamento das queimaduras, se usa pasta de dentes, clara de ovo, café, manteiga, óleo e até mato moído... resultado? o doloroso trabalho extra de esfregar a mistura para limpar a ferida e o risco grande de infecção da mesma. Queimou? Basta por sob água corrente, se tiver sujo lavar com sabão neutro e não estourar as bolhas, apenas levar a uma unidade de pronto atendimento ou em casos maiores uma emergência.
Alguns casos são bem interessantes, o soro é um exemplo, é a maior invenção da medicina, nada conseguiu salvar tantas vida como ele. Ainda sim sua função é extrapolada, sendo usado bastante como um placebo, com função calmante, analgésica ou anti-pitiática (para ataques de necessidade de atenção). Primeiro que não passa de uma solução de água e sal (cloreto de sódio a 0,9%), seu uso real é para reposição de volume em caso de extensas perdas sanguíneas, reposição hídrica em queimaduras e desidratação, além de diluição de medicamentos e também usado para limpeza de feridas e curativo.
O raio x é outra invenção excelente, o primeiro exame de imagem criado. Salvou e salva muitas vidas diariamente, mostrando manifestações de várias doenças em órgãos e ossos. Pacientes curiosos, principalmente os mais simples, não conseguem compreender que apenas a história clínica e um exame físico são capazes de diagnosticar, precisam de algo palpável, mesmo que seja um pedaço de plástico preto e azul de onde não possam tirar conclusão alguma.
Certos exemplos soam irônicos, como se criticassem a ignorância popular, mas certo mitos devem ser esclarecidos. O paciente tem direito e dever de saber sobre a sua doença, o significado de seus exames e o tratamento ao qual ele será submetido. O médico tem obrigação de explicar cada passo, esclarecer dúvidas e ter certeza de que foi bem entendido. Tudo isso com a educação social devida e merecida. É bastante interessante e até um pouco chocante, a quantidade de processos que poderiam ser evitados apenas com um cumprimento e o esclarecimento de dúvidas.
Vitaminas, importantes? Sim! Regulam inúmeras reações e funções dentro do corpo, dentro de cada célula... Já os chamadas complementos vitamínicos, as vitaminas em cápsulas ou pílulas são apenas um extra. As vitaminas podem ser facilmente encontradas em verduras, frutas, folhas, algumas carnes, ovos e até luz do sol... a comida é a fonte! A velha história de que fraqueza é falta de vitaminas não passa de crendice, a falta provoca doenças muitas vezes graves como o escorbuto (falta de vitamina C). Em geral, os suplementos de vitaminas só dão uma dosagem absurda de vitaminas variadas que serão (em sua maioria) devidamente urinadas em pouco tempo... Urinar dinheiro é até doloroso para o bolso.
Outro ponto, ainda que finalizando, mas muito importante é a auto-medicação. Chega a ultrapassar a cultura popular e se tornar um problema de saúde pública. Muitos engolem rápido antibióticos ao menor espirro ou dor de garganta... outros fazem analgésicos de bala por qualquer dor. Ignoram o fato de que remédios são venenos em pequenas doses. A cada ano a resistência bacteriana a antibióticos cresce e faz muito tempo que não surge um novo antibiótico, as ferramentas para tratar infecções vão se reduzindo. Alterações na receita ou fuga dela tende a selecionar e criar bactérias cada vez mais fortes, o que foi prescrito é o testado e que funciona (se bem diagnosticada a doença). As toneladas de analgésicos e antiinflamatórios são bem lesivas ao fígado (paracetamol) , rins (nimesulida) e estômago (diclofenaco). Não digo para ter os chás como prioridade, mas saúde é coisa pra quem estudou, medicina cobre no mínimo 6 anos de estudo.... mas a média ultrapassa os 10 anos.


Respeite você mesmo, saúde é coisa séria!
Estude, procure saber e pergunte, ignorância é quase uma doença!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uivos do Concreto - CAPÍTULO 2 – A NOVA REALIDADE


Gostaria que tivéssemos tido mais tempo juntos, mas dias depois um lycan lupino, de aparência rígida e trajes militares, aparece a porta. Apresenta-se como um oficial de alta patente e irmão de meu pai, embora sua semelhança com ele entregasse tudo. Meu tio Leon, a quem não via desde muito pequeno. Após uma conversa breve com os pais de Luca, ele me chamou a sala e mandou-me fazer minha mala. Assustado e sem esboçar qualquer reação, concordei e me dirigi ao quarto. Juntei minhas coisas, o Luca me olhava triste sentado na própria cama, me aproximei sequei-lhe uma lágrima com um toque suave e lhe beijei com todo amor que pude. Foi o nosso adeus...
Tio Leon, ou melhor, Coronel Leon, não era má pessoa, contudo foi bastante rígido comigo. Ele era responsável por um programa militar especial para uma força lycan do governo e me
colocou nisso assim que chegamos. Era uma cidade especial longe de qualquer traço de civilização, cercada por uma floresta densa, tivemos de chegar de helicóptero, a vista era fantástica, mas mal a aproveitei, só conseguia ver os olhos tristes do Luca pra onde olhasse. Com alguns dias consegui, pela primeira vez na vida, me enturmar. Havia um certo sentimento de união entre os soldados, como um time. Eram todos lycans, das mais variadas espécies, leões, tigres, cães, cervos, cavalos... Como se cada um tivesse uma habilidade essencial ao grupo.
Os treinos eram pesados e também tínhamos aulas de matemática, física, estratégia militar, balística, explosivos, anatomo-fisiologia humana e lycan. Fomos treinados duramente para formar uma tropa de alto nível. Até que surgiu a primeira missão, não era algo grande, mas o clima de nervosismo e ansiedade estava presente. Teríamos de resgatar as vítimas de um seqüestro, terroristas estavam mantendo os filhos de um político estrangeiro de um país aliado como reféns, teríamos de resgatá-los e detonar todo o local com uma janela de apenas 1 h.
Um avião espião nos deixou próximos do local onde saltamos de pára-quedas silenciosamente, corremos para o norte seguindo os gps de pulso até encontrarmos o cativeiro. Eram por volta de 4h da manhã e tudo estava calmo, havia um terrorista armado montando guarda na porta de uma cabana simples. Um colega felino o abateu com um dardo tranqüilizante num tiro certeiro.
Nos dividimos e três grupos, um pelo lado direito da casa, outro pelo esquerdo e um terceiro
fazia a cobertura. Eu liderei o grupo de esquerda, olhei pela janela com um filamento óptico e vi as vítimas amarradas e mais oito ou nove terroristas bem armados, quatro dormiam em redes improvisadas e as vítimas jaziam no chão, imundas e desacordadas. Fiz o sinal, plantamos alguns explosivos e nos preparamos para entrar. Granadas de gás paralisante foram jogadas dentro da casa e com máscaras e óculos especiais entramos e atiramos tranqüilizantes em todos que se movessem. Eles reagiram atirando e acertaram a perna de um companheiro e um tiro de raspão noutro. Ao final da confusão os tínhamos amarrados num tronco próximo a casa e começamos um interrogatório, nada conseguimos extrair, até que surgiu o comando via rádio “ - Uso de armamento letal liberado! Matem os terroristas!”, gelei, nunca matei fora o ataque anos atrás. Os colegas se encontravam em situação semelhante, até que um terrorista se soltou e foi pra cima de mim, rolamos no chão e quando dei por mim tinha gosto de sangue em minha boca e um corpo sem vida sobre mim. Levantei-me, me sentindo imundo, meus colegas me olhavam amedrontados, simplesmente puxaram suas pistolas e atiraram nos terroristas. Ainda tínhamos cinco min antes da detonação e partimos. Um espião nos aguardava no ponto combinado, enquanto amanhecia vi de relance lágrimas em algumas faces e tremores. Ninguém me olhava mais nos olhos. Só se ouvia o barulho da hélice do helicóptero.
Fomos recebidos com honrarias e festa após o sucesso dessa primeira missão, meu tio se aproximou de mim e meu deu um abraço. Eu não sabia o que fazer, fiquei imóvel, ele disse em meu ouvido “ -Estou orgulhoso!” E voltou às festividades. Eu me retirei ao vestiário, disfarcei minhas lágrimas num banho demorado, lembrei-me de Luca, chorei silenciosamente ainda mais. Troquei-me e retornei com uma máscara de alegria à festa. Bebi com meus colegas, embora ainda houvesse um clima discreto e estranho entre nós.
Alguns dias após consegui uma licença especial para passar um final de semana fora do campo, “Recompensa de herói!” Segundo meu tio. Mandei depressa um e-mail ao Luca, embora houvesse troca de mensagens, já não nos víamos há três anos.


Fics Lupinas 7 - Lembranças e lapsos de passado... (Primeira Parte)


Este é um relato velho, fruto de lembranças de uma vida que mesmo curta pôde presenciar certos fatos que muitos seculares jamais sonharam. Não me gabo de nada, não escrevi tal destino a mim mesmo, sequer poderia... ou se pudesse, certamente não o faria! Minhas memórias não passam de um quebra-cabeças de peças faltantes, não recordo sequer de parte de minha infância. Para mim, a vida começou aos 13 anos... no meu primeiro contato com as trevas...
Eu vagava sozinho na praia, era noite de lua crescente, não fugia de nada, era apenas um velho costume. Podia muito bem estar com minha família adotiva, eram ótimas pessoas, um casal de pais carinhosos e um irmão com quase a minha idade, que se mostrava um bom amigo. Todavia, não me sentia parte daquilo embora gostasse muito deles. Sempre foram abertos quanto a questão da adoção, eu havia sido encontrado imundo e nu, andando sem rumo nas dunas próximas a stella maris, embora tivesse já 6 anos não pronunciava uma palavra sequer, como se estivesse aéreo. Acabei sendo adotado pelo psicólogo que cuidou de mim no hospital, os sete anos seguinte passaram como uma névoa.
A areia fria sob meus pés, a brisa fresca da noite tocando meu rosto e a grande lua crescente iluminava o caminho. O mundo era tão mais misterioso e belo à noite. Senti algo diferente naquela noite, a caminhada se transformou em corrida, o coração acelerava e batia forte como um tambor, havia algo por perto e me seguia, eu corri cada vez mais rápido, as roupas foram ficando pequenas, meu corpo queimava por dentro e o sangue parecia ferver. Parecia que algo dentro de mim estava acordando.
A paisagem passava como um borrão, num instante eu andava calmamente, noutro estava correndo, fugindo de algo desconhecido e meu corpo era bombardeado por uma mistura explosiva de sensações. O ar entrava frio e salgado nos meus pulmões, rápido o suficiente para arder a garganta, as pernas corriam sozinhas, os músculos queimavam, foi quando a dor surgiu! Rolei e caí no chão, me contorcendo, arfava forte e ouvia os estalos dentro do meu próprio ser, um sentimento que me parecia estranho e conhecido ao mesmo tempo me inundava, meus sentidos iam se ampliando, conseguia ouvir os insetos da noite sussurrando, cheirar a água fresca dentro dos cocos no alto dos coqueiros, a aspereza da areia grudando em meus pêlos... pêlos? Eu estava envolto como um casaco de peles, minhas mãos e pés se fizeram em patas poderosas com garras afiadas amarelas, algo subiu pela minha garganta com fúrias... foi meu primeiro uivo, nunca senti tamanha liberdade e vivacidade na vida.
Consegui me recompor, senti cheiros, havia um grupo próximo, ouvia seus corações batendo à distância, mas outra coisa chamava minha atenção... não possuía cheiro, não emitia sons ou podia vê-la, mas a sentia por perto. O medo e a fúria tomavam conta de mim, como aquilo podia se aproximar sem que eu pudesse ver e o que poderia fazer? Como poderia me defender? Instintivamente olhei para a grande lua, praticamente supliquei por alguma ajuda, como um filho precisando da mãe. Senti meu olhos queimarem por dentro, apertei-os fechados sentindo a dor passar, quando os abri o mundo era outro, tudo parecia mesclado em tons de cor e cinza sombrio, piscava distorcido. Foi quando percebi a criatura...
Era como uma escultura de dor e fúria, pareci uma massa retorcida e negra, recoberta de arame farpado, olhos sangrantes e argolas de metal penduradas, não possuía pés, eram patas como um caranguejo desajeitado e disforme. Nem os pesadelos de esquizofrênicos torturados conseguiriam produzir algo tão repulsivo e hediondo. Sentia agora seu cheiro, como vinagre estragado, cobre sujo e feridas infectadas, uma mistura pútrida que me provocou vômitos na hora. A vi se aproximar lenta, não fazia uma marca sequer na areia fina, como se não estivesse realmente ali.
Paralisado! O terror circulava gélido nas minhas veias, o gosto amargo do vômito queimava minha garganta, eu não consegui fazer nada, apenas tremia enquanto ela se aproximava. Foi quando o vi, era como um lobo gigantesco, de pelagem prateada, com uma tira de couro trançada na pata dianteira direita, tinha grandes presas amarelas, mas emitiam um brilho estranho, assim como suas garras, o vi saltar sobre a criatura e a estraçalhar como se fosse uma peça de carne estragada, rasgando e vomitando os nacos negros. Tudo começou a girar e ficou escuro...
Acordei sentindo o calor de uma pequena fogueira, deitado na areia branca, levantei rápido e percebi envergonhado minha própria nudez. Havia outros sentado em torno da fogueira, cerca de sete pessoas, entre homens e mulheres, adolescente e até um senhor de idade de cabelos longos, na altura dos ombros, sem camisa... Me viram acordar, um rapaz um pouco mais velho que eu me estendeu uma bermuda jeans surrada e um sorriso, me vesti rápido e sentei-me junto a ele no círculo. Eram todos desconhecidos, mas me senti tão à vontade quanto numa família.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uivos do Concreto - CAPÍTULO 1 – DEPOIS DA TRAGÉDIA...

Acabei amadurecendo forçadamente mais cedo quando perdi meus pais. Tinha acabado de voltar do colégio, vi a porta destruída, entrei correndo, meu coração não cabia no peito, a casa estava revirada, tudo destruído, as paredes pichadas e ao entrar no quarto os vi... Aqueles me deram a vida, que me mostraram o mundo, que me tinham no coração, agora não passavam de corpos ensangüentados e sem vida. Agarrado as lembranças e em completo desespero os abracei forte, como se pudessem estar apenas dormindo, era tudo o que queria, que nada daquilo fosse real. Foi então que vi gravado na parede: “Voltem para o inferno aberrações! O mundo é dos filhos de Eva!” – A raiva foi tão grande que puder sentir a chama queimar dentro de mim, nada mais era importante, ele deviam pagar!
Eu já não era eu mesmo, podia sentir chamas pulsarem por baixo dos pêlos e da pele, só tinha em mente a sede de vingança. Foi quando aquele cheiro chegou ao meu faro, era cheiro de humano, suor e bebida barata, só poderiam ser eles! Fui seguindo pela casa, farejando qualquer vestígio, quando me vi estava numa área de depósitos nos limites da cidade e já anoitecera. O cheiro estava mais forte, fui seguindo até ouvir um barulho, me escondi num beco próximo e os ouvi passar... Vangloriavam-se, riam, estavam bêbados, o mal-cheiro infestou minhas narinas e fez o ódio queimar mais forte. Os segui silenciosamente até um dos galpões, haviam pichado na porta enferrujada, o mesmo símbolo que nas paredes da minha casa. Entraram no galpão. Segui até uma janela pequena e suja para ver o que faziam lá, gargalhavam e bebiam, eram uns desgraçados, como se matar fosse motivo de festa.
Não sei quanto tempo aguardei uma oportunidade, minutos, horas... Mas após muita algazarra eles pararam, em pouco tempo já dormiam bêbados em velhos colchões que estavam jogados no chão. Foi minha oportunidade, entrei no galpão sem fazer barulho; o cheiro pútrido do local, o fedor do grupo sujo e bêbado, a dor da perda marcada a ferro no meu coração... Quando percebi, estava amanhecendo, o sol entrava pelas janelas sujas e pelos buracos do teto, eu ainda estava no galpão e olhei em volta, já não havia mais vidas naquele local, apenas sangue e morte. O gosto em minha boca me enojava, o cheiro no ar revirava meu estômago, percebi que havia ido longe demais.
Corri para o que restou de minha casa como um louco, a culpa me doía, eu havia me transformado num monstro! Ao chegar, procurei por algumas roupas, troquei-me e fugi ao único local seguro que me restava a casa de meu amigo. Bati-lhe a janela do quarto e ele me deixou entrar, contei aos soluços os fatos, mas não tive coragem de falar do meu erro. Depois de me ouvir ele simplesmente me abraçou e então, só consegui chorar tudo o que estava engasgado dentro de mim. Não sei por quanto tempo ficamos daquele jeito, mas depois daquele momento passei a ver meu amigo de outra forma.
Os pais do Luca sempre me trataram bem e quando souberam da minha tragédia, me convenceram a morar com eles. Agora eu tinha um amigo-irmão. Após algumas semanas nossa amizade e intimidade foram crescendo, era natural, dois garotos de 15/16 anos dividirem dúvidas e descobertas da idade. Um dia, eu tomava banho, esqueci a porta destrancada e ele entrou. Nunca nos vimos nus, ele simplesmente parou e ficou me olhando de cima a baixo, meus pêlos azul-prateado, meu corpo trabalhado pelos esportes do colégio, ele me admirava como se eu fosse uma obra de arte. Tremi e se pudesse teria ficado vermelho, perguntei o que ele queria. Saindo do transe, percebeu a situação, se ruborizou e correu pra fora do banheiro. Não tocou no assunto o resto do dia, mas eu não consegui tirar aquela cena da minha mente.
À noite, enquanto estávamos deitados esperando o sono surgir, ele sem-graça e gaguejando pediu desculpas pelo ocorrido e eu ri dele. No momento seguinte estávamos lutando sobre minha cama, ele havia pulado sobre mim e tentava me imobilizar, mas consegui virá-lo e prendê-lo, estávamos ofegantes com os rostos muito próximos, olhei em seus olhos e ele nos meus. Demos nosso primeiro beijo.

Nunca me esquecerei, aqueles lábios quentes, macios, o cheiro que ele exalava, o arrepio que senti, o gosto da boca do Luca, o calor do corpo dele... Éramos um só.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Culturalmente discutível...


Costumes dos mais diversos estão enraizados em todos os povos, heranças de séculos de vivências e acontecimentos. Não se trata somente de certas vestimentas estranhas e comidas coloridas, desde o padrão de evolução da língua até o formato de raciocínio dos indivíduos em geral. Cada nação, povo, território, vila e até instituição ou classe profissional tem seu conjunto de regras e costumes. Não se trata de um caderno de leis, mas certos 'protocolos' subentendidos.
É complicado e até certo ponto desrespeitoso avaliar e comparar culturas, aos olhos de quem não faz parte do conjunto. Como compreender um costume que não é familiar ou nunca lhe foi mostrado o verdadeiro valor? Não é simplesmente uma questão de preferência, mas a noção de que ainda que não se entenda o verdadeiro valor deve-se ter respeito. A tentativa de entender é válida, mas não é nada fácil absorver algo realmente discrepante de sua própria realidade.
Direito a respeito toda cultura deve ter, todavia o que pensar quando é algo que não somente fere à próprias concepções de cada um como machuca e até mata seres vivos? A exemplo do vídeo acima, questionar qual a nobreza e beleza de se matar animais? Como pode se um esporte a matança violenta? Ultrapassados os limites, avaliar que direito tem um povo para torturar e matar animais? Brutalização e banalização do sofrimento é um espetáculo para quais olhos?
Outro ponto interessante é a divisão social de alguns povos, as castas indianas ainda que tenham sido extintas juridicamente persistem dentro da sociedade indiana. Uma interpretação de antigos costumes que prendem uma faixa inteira da população a um estrato de inferioridade e abuso contínuo, sem qualquer chance de ascensão independente de sua competência ou empenho. Os Dalits sofrem violência e abuso contínuos, lhes é negado direitos humanos dos mais básicos, como água potável! Sofrem sem o mínimo direito a justiça.
Ou o absurdo dentro de muitas nações islâmicas, a inferiorização da mulher, onde o abuso físico e psicológico extrapola os limites da compreensão. Ainda que afirmem, não há trechos no Corão que justifique certas práticas, o véu é uma forma cultural de preservar a integridade e o mistério feminino, mas a burca é uma humilhação. Obrigar milhares de mulheres a se esconder sob um pesado pano escuro no calor do deserto chega a ser uma tortura pública! Sem contar os estupros, espancamentos, torturas, humilhação, qual o sentido de tudo isso? O Corão não traz versos sobre a importância da mulher e a obrigação do homem em protegê-la? A cultura é antiga mas mutável, as mulheres já tiveram muita importância no auge do império árabe.

Diferenças à parte, a vida deveria ser valorizada globalmente...





terça-feira, 14 de julho de 2009

Uivos do Concreto - Prólogo


O ano é 2132, já faz mais de trinta anos que a guerra começou, não uma com mísseis ou bombas, é algo mais sutil, mas não menos feio. Às vezes gostaria que a moda Lycan nunca tivesse existido, mas me dou conta de que sequer teria nascido se não fosse por isso. Ah, sim! Não sou humano, pelo menos não 100%, sou um lycan classe três, ou seja, nascido de um casal de lycans. Talvez meus pais não tivessem me feito se soubessem o que o futuro guardaria, mas já é meio tarde para pensar nisso.
Na historia da humanidade houve muitas grandes idéias e também muitas loucuras, muitas modas foram obras de arte e outras causaram apenas revolta. Mas nada trouxe tanto problema quanto a manipulação genética. A possibilidade de alterar os genes foi um grande avanço para a ciência, várias doenças simplesmente foram erradicadas, muitos casais sequer precisaram se preocupar com a saúde dos filhos que iriam nascer, esta já estava garantida. O problema, todavia, veio com a banalização do processo. Porque parar com o humano comum se você pode melhorá-lo? Assim começou... O resultado? É ainda pior que o antigo racismo, virou uma disputa entre espécies.
Quando nasci, entrei no meio de um campo de batalha silencioso. Se você acha que usar aparelho ou ter sardas tornou sua infância difícil, é porque não foi chamado de “Totó” na escola (esqueci de dizer, sou um Canis lupus sapiens, algo que antigamente chamavam de lobisomem). Aturei por toda vida apelidos e desprezo, para minha sorte (talvez por medo) nunca chegaram a me agredir.
Tive minha primeira briga na adolescência, mas não fui à causa, vi um grupo espancando um rapaz e fui tentar ajudá-lo. Avancei sobre o primeiro, foi algo instintivo, dei-lhe um soco forte na cara e ele desmaiou. Percebi que mais dois vinham, já haviam esquecido a vítima, partiram pra cima de mim. Desferi uns socos em estômagos e levei alguns também, mas eu não sentia a dor de tão forte a adrenalina. Foi quando algo queimou por dentro, e avancei mordendo no braço de um dos valentões, não foi nada tão profundo, mas o sangue os fez correr, carregando seu amigo desfalecido nas costas.
Quando ajudei o rapaz a se levantar, ele me agradeceu com um abraço apertado e me olhou nos olhos tão fundo que estranhei. Nunca um humano tinha me demonstrado carinho, ele parecia não se importar com as diferenças, sequer trocamos uma palavra e ele seguiu seu caminho.
Acabamos por nos tornar amigos mais tarde...


quarta-feira, 24 de junho de 2009

Divina ironia...


Após algumas "eternidades" de completo ócio e tédio, uma existência resolve criar todo um universo em somente sete dias... Porque tamanha pressa? Talvez seja compatível com o "onitédio"... ou a criação é algo rápido mesmo tipo microondas. Tal existência além de criadora, é também onisciente, onipotente e onipresente, além de perfeito (é claro!).
Sua (dita) "maior" criação é o ser humano, uma criatura caótica, impressionável e meio tosca... em resumo, imperfeito. Mas como um ser perfeito pode criar algo imperfeito e ainda dizer que é a sua imagem e semelhança? Ok, o ser humano deve aprender e evoluir... utilizar do seu livre arbítrio para crescer... Fazer suas próprias escolhas e arcar com os resultados (ainda que reclamando até das quinas das esferas...).
Viva o livre arbítrio! Mas como existe isso? O criador não é onisciente? Se cada resultado é conhecido não existem escolhas reais... tudo já está decidido, no máximo se escolhe dentre as opções de trilhos existentes... A onisciência extermina o livre arbítrio. Outro ponto interessante é a possibilidade de escolha segundo alguns ferrenhos religiosos, ou se está no caminho de "deus" (que é o deles, obviamente) ou se está condenado... não vamos esquecer que "deus é amor!"
Lembremos que a existência criadora também ama suas criações, ainda que permita que tudo quanto é desastre aconteça... afinal, algo tem de matar o tédio... E se tal existência é a única fonte de criação e é somente "do bem" porque existe o mal? Porque ele foi criado? Como algo 100% bom pode criar o mau? Uma leitura do "grande fax celeste" mostra o orgulho da mais bela criatura (lembrando que orgulho é classificado como pecado capital e vaidade também o é... ) tão perfeito que ficou mau, por ciúme das criaturinhas tão amadas e imperfeitas que o divino se divertia matando... Aceitando isso, como o "primeiro caído" pode criar as mentiras e o mal que lhe é atribuído? Ele não descende de algo tão bom, perfeito e puro? Que por acaso é também a única fonte criadora?
A suprema fonte de tudo (menos do mal, que não se sabe como veio parar no meio da história) viu que sua tão amada criação tinha feito tantas besteiras que tudo estava meio podre... ok, mata-se um monte de gente e começamos de novo... Mas para que fazer em 7 dias o que você pode fazer em 40 dias e noites bem molhados... afinal é uma faxina, demora pra ser bem feita... Deu trabalho para corrigir o (erro?) da melhor criação da perfeição, e depois de um tempo não é que deu problema de novo? E ao que parece de forma pior, a ponto da criação mandar seu filho para resolver, mas se todas a criaturas vieram da mesma fonte e são amadas igualmente porque somente uma é tratada com tamanha distinção? E como uma fonte única e monoteísta de criação pode ser formada por uma trindade?
Mas seja uma boa pessoa, não cometa pecados... não coma por prazer, é gula (para que paladar?)! Não transe gostoso, (ainda que sejamos dotados do orgasmo) é luxúria! Deve-se viver uma vida simples mas dotada de significado! Imitar o filho preferido (ainda que todos sejam amados igualmente) , não ter trabalho nem formação aos trinta anos de idade, andar sempre com amigos passeando por aí e aproveitando do pão e do vinho. Não esqueça de que as prostitutas são seres importantes! E que mãe é sagrada! Não faz nem filhos com o marido, nem mesmo depois de anos de matrimônio.
Afinal qualquer esforço vale a pena para se chegar ao paraíso! Um lugar cheio de anjinhos (seres andróginos assexuados, com asas penosas e espadas de fogo), nuvens (legal!), onde não há nenhuma necessidade e pode-se passar toda a eternidade louvando (elogiando, exaltando e achando o máximo! Cuidado que orgulho é pecado!) a fonte criadora! Fantástico! Vale cada centavo suado que pagou o carro, o rolex e a casa do pastor! Cada moeda que construiu o Vaticano e sua lindas igrejas, é tão lindo ver o voto de pobreza repleto de ouro e veludo dos cardeais, a simplicidade de montar um templo gigantesco de mármore caríssimo... afinal congregar com a natureza perfeita criada pela grande existência é algo simplório, devemos criar uma caixa de pedra cheia de requintes que é mais sagrada que as criações divinas!
Melhor que ir para o inferno virar churrasco, ainda que toda a carne tenha ficado na terra... Sentir a eternidade de dor porque aquele último doce da bandeja estava além da saciedade e porque você passou batom para ir o shopping. Não se preocupe, Deus te ama!


Deus é criador e dono de tudo, mas uma graninha sempre vai bem! Ele te ama, mas qualquer besteira que você fizer (ser imperfeito não é desculpa!) te manda para o inferno!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Bom dia, mau dia...




"Hoje foi um dia péssimo!
A maldita obra em frente me acordou com sua sinfonia de martelos e tratores, mais uma vez tive de saborear meu comprimidos e minha insossa dieta de fibras. Andei num passo rápido na rua, o medo de levarem minha belas pérolas ou minha bolsa era grande, mas me distraí num olhar rápido a uma vitrine e trombei com um mendigo mal-cheiroso. Que nojo! Sai correndo (tanto quanto a artrose e os saltos me permitiam) e fui até o salão para meu cuidados rotineiros. O almoço fora tão sem-graça quanto o café, maldita hipertensão! A tarde seguiu tediosa com todas aquelas conversas cansativas das senhoras do clube e dormi as custa do meu santo comprimido de bromazepan, após outra refeição ruim. Um dia chato e quente, uma noite de doer as juntas, de tão fria."

"Hoje foi um dia triste...
Começou quando minha mãe me arrancou das minhas cobertas quentinhas para aquela manhã fria, me animei no café, engolindo minhas torradas amanteigadas com voracidade. Peguei minha bicicleta e rumei para o colégio, não podia me atrasar de novo, vi no caminho uma senhora trombar com um velho mendigo, ri comigo, em poucos minutos cheguei. As horas demoravam a passar, aulas cansativas, tanto assunto... No almoço, ria com meus colegas numa mesa de lanchonete, algo tirou meu sorriso muito rápido, chamando a atenção de todos. Do outro lado da rua, um mendigo engolia restos numa lata de lixo, nos fundos de uma biboca suja. Me doía o coração vê-lo procurar alimento no lixo, enquanto eu podia aproveitar um lanche tão gostoso e despreocupado. Aquilo me ficou na mente até o final do dia e me trouxe umas poucas lágrimas antes de dormir."

"Hoje foi mais um dia... igual...
Bocejei dentro do ônibus lotado, ainda era uma fria madrugada, meu casaco já pedia demissão e a pele estava arrepiada, assumi meu posto bem cedo e abri o portão. Os clientes iam em viam e o cheiro do café, meu companheiro, rondava por todo o local. Eu me perguntava como as pessoas podiam pagar os preços altos da tabela por coisas tão simples, como um café expresso ou um sanduíche e jogar fora metade, por pura pressa. Mais uma vez vi aquele velho mendigo observar pela vitrine e seu olhar lhe denunciava a fome, fiz-lhe um sinal para que fosse para o beco ao lado da loja. Lhe dei uns bolinhos velhos, afinal já não serviam para vender. Ele os comia com gosto, saboreando cada pedaço, como se fosse um banquete. Me agradeceu com um sorriso e um gracejo e se foi, me deixando com um riso bobo na face. O restante do dia foi cansativo, à noite minhas pernas reclamavam, mas a caminhada valia a pena, cheguei bem na hora, a professora me cumprimentou à porta da sala e foi uma boa aula. Dormi o sono dos justos quando finalmente cheguei em casa. Exausto, como sempre..."

"Hoje foi um dia interessante...
Abri cedo minha loja, os clientes estavam animados para as compras, o tilintar da caixa registradora era animador. No meio da tarde o movimento diminuiu e fui à porta averiguar, havia um círculo de pessoas, deixei um funcionário tomando conta da loja e fui matar minha curiosidade. Havia um senhor maltrapilho, fazendo um pequeno show, com anedotas e cambalhotas, de quando em quando ele pausa passava seu surrado chapéu para que lhe dessem algum trocado. Me diverti com ele, os negócios eram promissores e lhe arrumei algumas notas miúdas. O seu sorriso me serviu de agradecimento e voltei ao trabalho. Ao final do dia uma surpresa, o velho artista de rua estava ao balcão comprando uns pães de queijo, ri-me dele e lhe agradeci com um sorriso, ao qual me foi retribuído com um maior ainda. Dormi feliz, naquela noite."

"Hoje foi um dia bom!
Acordei com a luz do sol no meu rosto, já esquentando um início de dia após um noite tão fria. Caminhei pela rua olhando as pessoas atarefadas, andando de um lado a outro, sempre ocupadas. Ao atravessar a praça sinto a fome rugir e vejo uma boa refeição a minha espera. Degusto meu dejejum em um pequeno café, aproveitando os doces bolinhos de aveia e observando o fervilhar da cidade grande, os grandes arranha-céus espelhados e carros coloridos zunindo e buzinando.
Satisfeito, rumo em direção do centro para ganhar meu sustento, não é longe e caminho para aproveitar o sol. Num susto, trombo com uma senhora arrumada. Ela se assusta, mas logo se recompõe e continua num passo rápido, fingindo que nada houve. Em minutos chego ao meu local e luto pelo pão por toda a manhã. Ao sol quente do meio-dia, procuro uma sombra e meu almoço, um salada leve e bem colorida, um sanduíche de mortadela e fico satisfeito, compro uma lata de refrigerante e volto ao serviço. A tarde é quente, luto pelo meu sustento e ao final do dia já cansando e sentindo a primeira brisa da noite, retorno para casa. Encontro ótimos paezinhos de queijo numa padaria vizinha e durmo bem enrolado, satisfeito... é inverno e a noite será fria. Mas foi um bom dia!"



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Bordados e manchas - Na mira do Desespero




Depois do fatídico dia da armação de Govannon e sua pupila vampira, tirei alguns dias para refletir sobre o ocorrido. Foi necessário manter somente as informações importantes acerca das intenções de Govannon, para q eu pudesse conter a minha indignação perante o fato.

Meus sentimentos agora estão contidos, posso dominá-los. Aos poucos tento entender as intenções de Govannon, que sendo boas ou ruins, me levam a um caminho de aprendizado. Entretanto, continuarei alerta, nunca se sabe o que se esconde por trás da máscara.
Nesse tempo, passei a estudar mais minhas magias, estou mais consciente do que posso fazer e de como posso agir, preciso estar forte, preciso estar atenta às minhas necessidades e às do grupo, já que construímos uma aliança, não tão forte, mas uma aliança.

Contudo, bastou voltar àquela casa para re-surgirem problemas. Govannon reuniu o grupo para conversar e não passou muito tempo até as trevas surgirem. Ouviu-se um barulho vindo do corredor. Quem sabia que estávamos lá além de nós? A única coisa que vi foram muitos vampiros tomando a única passagem que existia além das janelas. Fui atingida sem ter tempo para reagir, caí desmaiada.

Quando acordei estava amarrada a uma cadeira, num ambiente caindo aos pedaços, um imóvel abandonado, talvez. Senti algum metal frio encostar na minha nuca – uma arma, pensei. Na minha frente, uma figura horrenda (não horrorosa que a da ilusão de Govannon, mas, ainda assim, asqueiroso e fétido), um vampiro muito forte. “Me diga o que você e sua corja escondem!” – dizia ele em tom de ameaça. Eu, atordida pela pancada, ainda semi-consciente, não sabia o que dizer. Só sabia q tinha que pensar rápido. “Onde eu estou? O que você quer de mim?” – eu dizia, ainda atormentada. “Eu sei que vocês escondem o que eu procuro dentro daquela casa! Me diga logo o que há de tão poderoso! Me diga, senão eu arranco a informação à força!” O que ele quer, eu não vou dar! Preciso ganhar tempo! E tranquei minha memória por alguns instantes. Mas onde diabos de meteram os outros? Me deixaram em apuros, bando de incompetentes!
“Eu não sei de nada!” – eu afirmava com convicção. Senti minha mente sendo vasculhada, mas senti que tinha feito a coisa certa. “Droga, essa mulher não sabe de nada realmente, peguei a pessoa errada! Você é uma inútil, matem-na!” Senti o metal encostar na minha nuca. Nesse instante, o teto caiu do outro lado da sala. Eram eles. Rastrearam a minha magia, finalmente fizeram algo de útil – pensei rapidamente. Govannon, a pupila, Kirin Toshiba e Carrara surgiam atrás da poeira levantada. Em instantes, Carrara se transfigurou e me puxou com cadeira e tudo de onde eu estava. “Pronto, estou salva!” – intuí. O que eu não esperava era perceber que Carrara tinha perdido o controle. Por um golpe de sorte consegui me soltar e dei um salto. Quando olhei para trás, a cadeira estava despedaçada na cabeça de uma das muitas criaturas que protegiam a sala.

Govannon começou um diálogo com o vampiro líder daquele bando. Pela primeira vez eu ouvi o nome daquela criatura: Desespero. Mas as palavras de Govannon não iriam adiantar, ele estava encolerizado! O motivo do ataque finalmente havia sido revelado naquela conversa: a vampira tinha capturado uma das criaturas que seguiam Desespero e sugou seu sangue até a morte. “Maldita, nos meteu em confusão” – pensei. Ainda tentei convencer Desespero a terminar com aquela perseguição, mas realmente nada que fosse dito iria adiantar, ele ia tentar nos levar para o caminho da morte.

Cada instante passado naquela sala era tempo perdido. Kirin, Toshiba e Carrara estavam atacando as pessoas erradas! Quando Govannon começou a atacar Desespero, foi então q finalmente os outros se deram conta de que as criaturas estavam sendo dominadas! O ataque a Desespero de todos os cantos veio logo em seguida. Quando estávamos quase matando Desespero, Govannon teve uma atitude inesperada: alguns dos ferimentos de Desespero foram curados e Govannon saiu arrastando-o para a saída. “Vamos embora”, instruiu Govannon. Falei alto: "Govannon sabe o que está fazendo, vamos embora daqui! O objetivo de vocês não era me resgatar? Pronto, agora larguem essas criaturas aí e vamos embora." Seguindo Govannon, finalmente descobri para onde tinham me levado: uma casa abandonada na Ladeira da Montanha.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Ironias...



Incessantes guerras e massacres, povos de mesmo deus lutam indefinidamente para disputar um pedaço de deserto cheio de ruínas, sagradas para ambos. Depois de seu messias ter pregado igualdade e humildade, além de afirmar que os pobres teriam os céus... fiéis constroem gigantescos monumentos e templos, num dispêndio colossal, porque rezar na terra que lhes foi dada por seu deus não é bom o suficiente para adorá-lo. Para que dar a outra face se você pode gastar uma montanha de ouro num palácio de 'fé'?
Empresas multibilionárias tomam mão-de-obras semi-escrava em países menos afortunados para produzir bens supérfluos cujas mãos que os criaram jamais hão de tê-los para si. Crianças famintas são exploradas, têm suas infâncias gastas costurando bolas para outras crianças poderem brincar. Descalços fabricam tênis caríssimos que nunca poderão calçar. Centenas de símbolos inundam as mentes das pessoas gerando falsas necessidades de objetos inúteis.
Investe-se muito da vida por uma carreira que tão pouco lhe retribui enquanto desonestos faturam absurdos por truques sujos e sedutoras inutilidades. Tanto conhecimento desvalorizado enquanto a vazia mediocridade sentada em seu trono defronte os holofotes de sempre. Como se espera que algo decente surja de tais valores distorcidos? Que tipo de frutos uma árvore doente pode dar?
Feriados para se juntar famílias, relembrar arcaicos valores (raramente praticados) de paz, fraternidade e amor ao próximo... emergências hospitalares lotadas!!! Família unida virou símbolo de discórdia e trazer a tona velhas brigas, tudo regado a bastante álcool e burrice. Que ótima demonstração de valores, este mesmo povo não consegue entender porque o mundo está desse jeito... Aparentemente é apenas inércia.
Outro exemplo interessante, reclamar de um governo que é retrato do povo, uma demonstração interessante de respeito ao próximo, valorização da opinião alheia, noção de comunidade. É bem fácil de perceber, pequenos atos aqui e ali... de repente diante de um ambiente nacional já não são tão pequenos assim. Quem liga para um troco dado a mais ou um milhão no meio de tantos que simplesmente desaparece? Desfrutar em plena saúde do benefício por invalidez... Gozar 1/4 do ano em férias enquanto o país precisa de ação... Bobagens!

"Senhores passageiros, acabamos de entrar no mundo real, por favor não esqueçam suas hipocrisias nos compartimentos de bagagem. Obrigado por tornar este mundo um reflexo de vocês mesmos e tenham todos uma boa estadia nesta vida!"